18.11.06

Ócio criativo

Roubado do Tirinhas do Garfield. Clique na imagem para ampliar.

17.11.06

Confidencial

A Ilha - tempestades

Parte 2

III

A sala do capitão-de-mar-e-guerra Cavalcanti, chefe da Capitania dos Portos de Santa Catarina, é ampla e sóbria. Uma grande mesa é único móvel digno de nota. Um cabo fez o delegado Pacheco entrar. Já em pé, postura ereta, o militar de farda branca o aguardava. O oficial cumprimentou o policial.

- Sente-se, fique à vontade. - Cavalcanti indicou a cadeira em frente á mesa.
- Então temos algo novo? - perguntou Pacheco.

O capitão colocou sobre a mesa um envelope pardo contendo folhas tamanho A4.

- Informações do Setor de Inteligência. O resgate arqueológico está sob supervisão da Marinha, como sabe, então temos interesse em resolver isso.
- O que tem aí? - apontou o delegado, com um discreto movimento do queixo.
- Um suspeito.

Gilmar recebeu Kalvelage...

16.11.06

Calvin & Haroldo versão Frango Robô



O programa Robot Chicken (Frango Robô), do canal Cartoon Network colocou no ar esse vídeo muito engraçado com uma versão de Calvin & Haroldo em stop motion (técnica de animação com massinhas). A versão legendada foi feita pelo blogue Depósito do Calvin e o vídeo original está no You Tube.

15.11.06

Segurança

A Ilha - tempestades

Parte 2

II

- Pode ter sido só um arrombamento comum. Afinal, levaram o computador. E como a caixa estava no armário trancado, imaginaram que teria valor.
- Não, Carol, quem entrou lá sabia muito bem o que estava procurando. Levaram o computador porque os registros e as fotos sobre o material estaram lá. Mas nada disso diminui a minha responsabilidade - as olheiras da historiadora Vilma, sintoma de insônia, reforçavam o tom de preocupação.
- A responsabilidade é de quem roubou, não sua - tentou consolar a arqueóloga. - A polícia vai descobrir isso. O que você poderia fazer? Dormir armada em cima do armário? Você é historiadora, não segurança.
- Você sabe que nos duas somos suspeitas, para a polícia - o olhar de Vilma tornou-se firme por um instante.
- Eu? - assustou-se Carolina. - Se eu quisesse roubar, nem teria entregue a você.
- Não tenho certeza se eles também pensam assim.

A sala do capitão-de-mar-e-guerra...

14.11.06

Gabo

A Record acaba de lançar uma coletânea dos textos de não-ficção escritos por Gabriel Garcia Marquez desde os anos 1940. São cinco volumes (e bota volume nisso). Aceito como presente de Natal. Cada livro custa R$ 82,90, com exceção do volume 4 (Reportagens Políticas), por R$ 39,90. O autor de Cem Anos de Solidão produziu alguns de seus melhores textos como repórter e redador do jornal El Universal. Relato de um Náufrago, por exemplo, um de seus melhores livros, é resultado de uma série publicada no diário colombiano. Mestre Gabo merece reverência escrevendo ficção ou jornalismo, áreas que nem sempre têm fronteiras bem definidas - para o bem e para o mal.

13.11.06

Heloísa Helena

Logo depois das eleições, o escrachado blogue Kibe Loco causou polêmica (mais uma) ao publicar uma montagem simulando uma capa da Playboy com a senadora Heloísa Helena (Psol-AL), ex-candidata à Presidência da República. Agora a própria Playboy perguntou a três fotógrafos como seria um ensaio com a senadora. A imagem acima é a ilustração para a reportagem, feita pelo chargista Baptistão. Será que ela vai chorar de novo?

Caixa

A Ilha - tempestades

Parte 2

I

O padre Alfredo Schmitt esperava encontrar um homem rude, àspero, inculto e mal-educado. E o delegado César Pacheco esperava um homem de batina. O delegado federal usava terno e gravata, recebeu educada e amistosamente o jesuíta, pediu que se sentasse e ofereceu água, chá ou café. O religioso parecia mais um professor de escola - o que de fato era - do que um padre, vestindo calça jeans, uma camisa clara e óculos. Também parecia mais jovem do que imaginara o delegado.

- Antes de mais nada, padre, quero dizer que o senhor está aqui para nos ajudar nesse caso. Neste momento, não há qualquer suspeição pesando sobre o senhor ou sua ordem religiosa. Os padres inacianos são parte interessada na investigação e esperamos que nos ajudem. Fui claro?
- Muito claro, delegado. Confesso que isso me tranqüiliza. Nunca estive nessa situação e admito que, espero que o senhor não se ofenda, imaginei que poderia haver alguma hostilidade.
- Não se preocupe, estou habituado a isso. A primeira coisa que quero lhe perguntar é: o que exatamente havia naquela caixa?

Pode ter sido só um arrombamento...

12.11.06

Tirinha do dia

Roubado do Depósito do Calvin. Clique na imagem para ampliar.

11.11.06

Ficção

Encerrei na quinta-feira, dia 9, a publicação na Parte 1 da série de ficção A Ilha - tempestades. A origem da história é a série de ficção científica A Ilha, publicada entre março e maio desde ano no blogue coletivo +D1 e disponível na lista de linques aí ao lado, na seção Ficção. A história original se passa num futuro próximo, em que um desastre ecológico causado pelo aquecimento global provoca o colapso da cidade instalada na Ilha de Santa Catarina.

Amigos sugeriram uma continuação de A Ilha e encarei o desafio de escrever uma "segunda temporada". Mas não se trata de uma continuação da história no tempo. Tempestades se passa no presente, antes dos eventos da série original. A história gira em torno de uma caixa encontrada nos destroços do naufrágio de um navio do século 18. Ainda pretendo escrever uma "terceira temporada" ambientada no passado, fechando o círculo.

A Parte 2 de A Ilha - tempestades começa na segunda-feira, dia 13.

9.11.06

Shopping

Dona Cléia Schmitz, doravante conhecida como a mãe do Xavier, inaugurou há poucos dias o Blog do Varejo, utilizando a experiência como jornalista de uma revista voltada para esse segmento da economia. Para não dizer que estou fazendo propaganda só porque a distinta é minha mulher, colaborei hoje com um post sobre a inauguração de um novo shopping center em Florianópolis. É bom precaver os que têm estômago fraco. É uma história um tanto nojenta. Mas vai lá.

Alarme

A Ilha - tempestades

Parte 1

X

Estudantes que dirigiam-se às salas de aula, no início da manhã, estranharam a presença de uma picape Ford Ranger preta, com inscrições amarelas da Polícia Federal, no estacionamento ao lado do Museu Universitário. Um pequeno grupo de curiosos e funcionários tumultuava a entrada do prédio e havia um nítido clima de agitação. Policiais estavam lá dentro, examinando um dos laboratórios do novo anexo.

– Não havia alarme no prédio? - perguntou o delegado federal César Pacheco.
– Sim, mas parece que faltou energia durante a noite, acho que não chegou a disparar – respondeu o diretor do museu, em crise de taquicardia.
– Sentiram falta de mais alguma coisa?
– Até agora não, fizeram alguma bagunça aqui e ali, mas parece que só levaram mesmo o material da sala da professora Vilma.

A historiadora havia informado o roubo ao pró-reitor de pesquisa da Universidade, que imediatamente acionou a Polícia Federal. A caixa de metal havia sumido, com todo o conteúdo.

Parte 2

8.11.06

Professor

Hoje foi minha estréia como professor de História. Como o curso de graduação que estou terminando habilita o sujeito ao mesmo tempo como bacharel (pesquisador) e licenciado (professor), faz parte do contrato ministrar algumas aulas. Minhas vítimas são 24 alunos de uma turma do 3° ano do Ensino Médio de uma escola pública.

A maioria é de gente que trabalha durante o dia e ainda tem o heroísmo de assistir a aulas no tempo que sobra. As aulas são à noite. Nas quartas, antes do intervalo, e nas sextas, a última. Ou seja, tudo contribui para que os alunos não vejam a hora de sair porta afora. Mas não posso reclamar deles. Nessa primeira experiência, em que pese o nervosismo da estréia e o orientador do estágio no fundo da sala, foi tudo tranqüilo.

Verdade que eu joguei sujo: metade da aula foi tomada por um vídeo de 17 minutos sobre o nascimento da República no Brasil. Neguinho adora trocar o papo do professor por um filminho para relaxar. E passei duas perguntas para eles responderem com base no documentário, o que os manteve atentos à telinha. Sexta-feira o bicho pega. Na última aula.

7.11.06

Repórter U

O jornalista Upiara Boschi, setorista de política do jornal A Notícia em Florianópolis, inaugurou o blogue Repórter U, com historinhas que não saem nas matérias que ele escreve. Não porque o competente colega negligencie informação ao leitor. É que... bom, é melhor dar uma olhada no blogue. É a editoria de política mais divertida dos últimos tempos.

Imagem

A Ilha - tempestades

Parte 1

IX

Jonas admirou a estátua de Jesus Cristo carregando a cruz, guardada há quase dois séculos e meio na Capela do Menino Deus. A imagem é expressiva, até assustadora. Toda esculpida em madeira, teve as partes móveis travadas porque seu realismo apavorava o povo durante as procissões. Há 240 anos, um navio vindo do Norte a transportava para outra cidade, mas uma tempestade obrigou a embarcação a fazer uma escala forçada na ilha. O povo disse que era milagre. A gente mais importante do lugar acabou comprando a imagem. Fundaram uma irmandade para cuidar do Cristo de madeira e todos os anos carregá-lo em procissão até a catedral.

– Ela sempre impressiona, mesmo tendo sido vista muitas vezes – disse uma voz conhecida.
O mergulhador virou-se e reconheceu Gilmar, o provedor da irmandade.
– Obrigado por ter vindo, Jonas. Vamos ao meu escritório, alguém deseja falar com você. Acho que os dois têm muito o que conversar.

Estudantes que dirigiam-se às salas de aula...

5.11.06

Veja a charge

A revista Veja andou se enrolando de novo em códigos de ética. Agora é acusada de publicar sem autorização a charge acima (de Santiago, desenhista do Jornal do Comércio, de Porto Alegre) e usá-la como argumento num editorial, sem citar o nome do autor. A história está no Blog dos Quadrinhos.

Companhia

A Ilha - tempestades

Parte 1

VIII

Vilma reconhecia no Museu do Homem do Sambaqui, instalado dentro de um colégio jesuíta, um segundo lugar de trabalho, talvez até uma segunda casa. Os padres e funcionários do colégio já estavam acostumados com isso e ela sempre subia ao museu quando precisava falar com um dos religiosos. O padre-professor Alfredo Schmitt não demorou muito a chegar. Cumprimentou amistosamente a historiadora.

– Tomei conhecimento de que os arqueólogos do PAS haviam descoberto algum objeto com a inscrição da Companhia – disse o padre. – Estamos todos muito interessados.
– Não quis trazer a caixa aqui hoje por uma questão de segurança, e também pelas dificuldades de transportar algo assim pesado. Mas está à sua disposição no Museu Universitário. Trouxe algumas fotos. Não conhecíamos nada desse tipo, talvez os padres da Companhia possam nos ajudar a saber mais sobre ela.

Vilma abriu a pasta de fotos ao padre ansioso.

Jonas admirou a estátua...

3.11.06

Mensagem

A Ilha - tempestades

Parte 1

VII

As placas de cerâmica dura continham algumas inscrições, mapas e outras indicações gráficas.

– É curioso que isso não tenha sido escrito em papel – disse a historiadora Vilma Duarte. – É possível que contassem com a possibilidade de perder esse material e encontrá-lo de novo muito tempo depois. A escrita parece ser do século 18, a caixa também, mas simplesmente não encontrei referências a esse tipo de material – concluiu.
– Bom, isso torna o material ainda mais interessante – argumentou a arqueóloga Carolina. – Continuamos a busca no sítio do naufrágio, mas não há esperança de encontrar algo mais. Foi sorte o mar ter desenterrado o navio. O que resta dele, ou está enterrado bem mais fundo, ou já se deteriorou. Mas temos uma pista. Encontramos um sino, que acreditamos ser do próprio navio.
– E então?
– É holandês.

Vilma reconhecia no museu...

1.11.06

Tesouro

A Ilha - tempestades

Parte 1

VI

O prédio do Museu Universitário havia sido recentemente ampliado, multiplicando seu espaço por dez, mas a fachada continuava sendo a de uma antiga estrebaria, construída antes mesmo da universidade e adaptada para novos usos, de forma que sua função original tornou-se irreconhecível. Carolina atravessou o pequeno prédio antigo e entrou no grande anexo novo, com salas modernas e laboratórios. Cumprimentou a velha amiga Vilma Duarte, historiadora dedicada ao projeto missionário jesuítico nos séculos 16 a 18.

Vilma já havia recebido o objeto encontrado no naufrágio, no dia anterior. O conjunto havia passado por um processo de limpeza e a caixa fora aberta pelos arqueólogos. Pelo peso, julgou-se inicialmente que transportava ouro, mas o conteúdo revelado eram placas de um tipo de cerâmica muito dura, bem preservadas. Carolina procurou a especialista porque nunca havia encontrado material como esse.

As placas de cerâmica...

30.10.06

Naufrágio

A Ilha - tempestades

Parte 1

V

Os pedaços do navio de madeira desenterrados pelo furacão são guardados por uma equipe de resgate do Projeto de Arqueologia Subaquática, que investiga antigos naufrágios ao redor da Ilha de Santa Catarina. Além de trazer à tona pedaços do navio, a tempestade espalhou no fundo do mar objetos que foram transportados pela embarcação antiga. Dois mergulhadores do projeto acabaram de trazer à superfície um objeto pesado, usando bolsas de ar para retirá-lo do fundo, a algumas dezenas de metros da praia.

Algo como uma caixa de metal, não maior do que um monitor de PC, foi içado para o bote inflável. Já na praia, a arqueóloga Carolina Paes e o mergulhador Jonas Neto, que retiraram o objeto do fundo, levam a caixa para uma tenda armada na praia, usada como base provisória. Carolina faz uma primeira limpeza da caixa, bastante oxidadada, mas com um relevo ainda visível na parte superior. Traz um tipo de inscrição aparentemente ainda mais antiga do que se supõe o naufrágio. Três letras: I-H-S.

Carolina volta-se para Jonas com ar de certeza:
– Companhia de Jesus.

O prédio do Museu Universitário...

28.10.06

Praia

A Ilha - tempestades

Parte 1

IV

Kalvelage percorreu a ilha durante dois dias, coletando dados. Os estragos provocados pelo furacão, especialmente na parte sul, são impressionantes. O vento deslocou as dunas do leste e soterrou ruas inteiras. Casas foram arrancadas do chão e a infra-estrutura de energia e comunicações foi retalhada. Aos poucos a cidade se recupera. As praias do leste foram bastante alteradas. Os dados confirmam a tese do cientista holandês, que viaja o mundo para testá-la.

Escreve ao NGOC:
– Encontrei mais indícios de uma mudança de padrão na geologia e clima do Atlântico Sul. O furacão, assim como o anterior, faz parte do evento global. A elevação do nível do mar está se acelerando.

Na Praia da Armação, um outro tipo de fenômeno chamou a atenção de Kalvelage, homem interessado pelas coisas do mar. O furacão revolveu o fundo da plataforma continental, desenterrou e levou para perto da praia o que parecem ser os destroços de um antigo naufrágio. A área havia acabado de ser isolada.

Os pedaços do navio de madeira...

26.10.06

Milagres

A Ilha - tempestades

Parte 1

III

Se os aviões estivessem na pista do aeroporto, teriam alçado vôo como helicópteros sem piloto. A torre resiste a ser arrancada do chão. Dentro, no andar inferior, Kalvelage tenta fixar os olhos nos dados do notebook, enquanto o prédio inteiro treme. A região por onde passa o olho de um furacão é a mais afetada, onde os ventos atingem a velocidade máxima por duas vezes, em sentidos contrários, intercalados por um período de calmaria e céu azul. Quando o pesadelo parece ter acabado, começa de novo.

A tempestade é grande o suficiente para fazer estragos num raio de algumas dezenas de quilômetros. Da janela do escritório no Morro da Boa Vista, anexo ao Hospital de Caridade, Gilmar Linhares observa o furacão varrer o centro da cidade. Na borda da espiral, o centro recebe os ventos na direção leste-oeste, e o morro acaba protegendo o hospital, servindo de anteparo. Três quilômetos adiante, a grande ponte pênsil metálica de 80 anos é sacudida como um varal, mas milagrosamente resiste. Gilmar acredita em milagres. Lembrou que outra tempestade, ocorrida há 240 anos, está na origem da irmandade religiosa que dirige.

Kalvelage percorreu a ilha...

24.10.06

Cegonha

Cris Fontinha fez belas fotos da mãe do Xavier.

Joaquina

A Ilha - tempestades

Parte 1

II

A tempestade já havia se transformado no furacão Joaquina, o segundo a atingir o litoral do Estado de Santa Catarina em menos de três anos, numa área onde esse fenômeno nunca havia sido registrado até 2004. Mas diferente do antecessor, o Catarina, que atingiu uma região menos povoada ao sul, desta vez o furacão se dirige direto à ilha-capital Florianópolis. O motorista terá que deixar Ian Kalvelage rapidamente no aeroporto e retornar a tempo de não ser colhido no caminho pela tempestade.

O geólogo não vai tomar nenhum avião. Os vôos foram suspensos. A meta da viagem é a estação meteorológica do aeroporto, onde Kalvelage pretende estar quando o olho do furacão atravessar a planície entremares, que corta o sul da ilha no sentido leste-oeste, entre a longa praia do Campeche e a área do aeroporto. Doutor em Climatologia, a missão de Kavelaage é estudar o fenômeno, a serviço do instituto holandês Neederlandsche Geocitoyeerde Oast Compagnie (NGOC).

Se os aviões estivessem na pista do aeroporto...

22.10.06

Rush

A Ilha - tempestades

Parte 1

I

O automóvel corre veloz pela Via Expressa Sul, ignorando os sinais vermelhos. O motorista recebeu um bom pagamento - em euros - para fazer uma viagem arriscada. O geólogo Ian Kalvelage, holandês de origem alemã, não conhecia Florianópolis. Tira os olhos por um momento do notebook e olha pela janela, mas não pode fazer qualquer julgamento sobre a cidade. Não do banco traseiro de um Citröen C3 a 120 quilômetros por hora e com pouca luz do lado de fora. O céu de fim de tarde está escurecido por nuvens e chuva.

O vento é cada vez mais forte. Apesar do horário do rush, não há outros veículos à vista. Alertas foram dados na tarde do dia anterior sobre a perigosa aproximação de um ciclone extra-tropical. A experiência traumática com esse tipo de fenômeno está bem viva na memória dos habitantes locais. Não faz três anos que algo assim passou bem perto. Numa cidade em que todos estão com medo, Kalvelage é o único a ir voluntariamente de encontro ao monstro.

A tempestade já havia se transformado...

20.10.06

A Ilha – segunda temporada

Acabei de escrever Tempestades, a "segunda temporada" de A Ilha. Explico. Entre março e maio deste ano, publiquei uma série de ficção científica no blogue coletivo +D1 (republicada depois no Bobagera). A idéia era escrever uma história em formato específico para publicação num blogue, ao longo de certo tempo. O texto foi dividido em 24 minicapítulos (dois ou três parágrafos cada), publicados como posts. Eles estão disponíveis na seção Ficção, no menu ao lado.

O desafio era comprimir a informação em textos curtos e ao mesmo tempo manter a história atrativa. Alguns amigos gostaram e até pediram uma continuação. Então taí. O formato é o mesmo da série original. Mas há uma nova história e um novo desafio. A Ilha - Tempestades começa neste domingo. Os minicapítulos entrarão de dois em dois dias, porque Bobagera não é só ficção.

19.10.06

piauí

Recebi ontem o primeiro exemplar da revista piauí, a primeira que assino antes mesmo de folhear o primeiro exemplar. Não costumo comprar desse jeito, mas as credenciais da revista, o artigo de Sérgio Rodrigues no saite no mínimo e o texto de João Moreira Salles sobre Roberto Jefferson me convenceram. Comecei a ler o número de estréia e confirmei o bom investimento.

Num momento em que a modernização gráfica e editorial deixou as principais revistas muito parecidas umas com as outras, piauí lançou-se ao mar apostando numa fórmula antiquada: formato grande, papel fosco. E bons textos - bota ousadia nisso - como principal atrativo. Corre o grande risco de virar um produto cult, lido só por jornalistas e intelectuais - ou metidos a tal. Mas o risco vale a pena. Mário Sérgio Conti e João Moreira Salles criaram uma revista moderna, de tão antiquada.

18.10.06

Blog Latino

A agência de notícias alemã Deutsche Welle enviou três repórters à América do Sul para reportagens especiais sobre quatro países: Brasil, Chile, Venezuela e Bolívia. A parte brasileira está a cargo de Geraldo Hoffmann, brasileiro que vive há 14 anos na Alemanha. Geraldo nasceu em Antônio Carlos, cidade a 30 quilômetros de Florianópolis e com 7 mil habintantes – a maioria, como ele, descendente de imigrantes alemães chegados ao Brasil no século 19.

Foi um dos mais brilhantes alunos do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Aproveitando as circunstâncias familiares e o gosto por viajar, mudou-se para a Alemanha ainda com poucos anos de formado. Ralou muito por lá e hoje trabalha em Bonn (cidade simpática, de 300 mil habitantes, que foi capital da antiga Alemanha Ocidental), na Deutsche Welle. A aventura de Geraldo e dos outros dois repórteres pode ser acompanhada no Blog Latino, que tem ainda uma versão exclusiva para a perna brasileira do projeto.

Mais comentários sobre o assunto nos blogues DVeras em Rede e Coluna Extra.

17.10.06

Notícias do Xavier

O pequeno Xavier (27 cm, 425 gramas) passou com nota dez no quarto exame de ultra-som. Bem no meio da gravidez, esse exame é chamado de morfológico e verifica como estão se formando os órgãos vitais e o esqueleto do rapazinho. De vez em quando ele precisou ser sacudido para mostrar melhor um braço ou uma perna (sacanagem, né?). Cérebro, coração, estômago, dedos das mãos e dos pés, pernas, braços, coluna vertebral, tudo foi vistoriado.

E está tudo conforme o que se espera de um sujeito dessa idade (quatro meses e meio de gestação). Daqui para frente, não é mais necessário verificar se há algum problema com o menino (o que é um alívio, devo admitir). Ele vai passar por mais dois ultra-sons. Um deles com seis meses e meio, para acompanhar o crescimento, e o outro no fim da gravidez, para preparar o parto. Mamãe Cléia segue numa gravidez tranqüila, sem sobressaltos nem enjôos.

14.10.06

Oxo!

O amigo jornalista Jefe Cioatto reativou o OxO Plus, blogue para quem gosta de futebol, com textos que não deixam nenhum jogo no 0 a 0. Já está na seleta lista do Bobagera.

12.10.06

Quadrinhos

Duas dicas para quem gosta de quadrinhos que eu roubei do DVeras em Rede, blogue do Dauro Veras. Uma delas é o Blog dos Quadrinhos, com as últimas notícias das tirinhas. O destaque é lançamento do filme de animação Wood & Stock. A estréia é hoje, com vários personagens de Angeli. No Depósito do Calvin estão as tirinhas criadas por Bill Watterson e mais uma notícia boa: o lançamento, pela Conrad, da coleção de aventuras do garoto e seu tigre de pelúcia, em livro. Clique na tirinha abaixo para ampliar.

11.10.06

Writely vira Google Docs

O Google mudou a cara do Writely, processador de textos on line adquirido recentemente pela empresa. O saite passou a ter o mesmo padrão visual de outros serviços do Google, como Gmail e Oktut, e foi rebatizado de Google Docs & Spreadsheets. Não gostei muito dessa mudança, achava o Writely mais simpático. O novo saite também traz serviços adicionais, que ainda não consegui explorar. Nos últimos tempos a política do grupo já era a de integrar os diferentes serviços. O usuário já pode navegar pelo Gmail, Google Docs e Blogger logando (digitando senha e nome) apenas uma vez. Agora o processador de textos traz um menu com acesso direto aos demais serviços de busca (Google), agenda (Calendar), e-mail (Gmail) e fotos (Picasa).

8.10.06

A Ilha

Parte 4
Breve. No Bobagera.

5.10.06

Correções no blogue

Quem acessar os comentários da última nota plublicada, sobre as eleições, verá que um deles foi deletado. Não se trata de nenhuma censura, garanto. É que o Bobagera recebeu um spam, e não foi a primeira vez. Para evitar novos problemas, alterei a configuração e agora há o pequeno incômodo da "palavra de verificação", ao fazer um comentário. Todas as opiniões são aceitas e não serão apagadas. Também migrei para a nova versão beta do Blogger, o que provocou pequenas alterações indesejadas, como caracteres estranhos. O problema já foi corrigido.

2.10.06

Notas sobre as eleições

Lula pode se reeleger presidente no dia 29, mas nesse caso terá mais dificuldades para governar do que no primeiro mandato. A Presidência do Senado ficará com um partido de oposição, já que o PFL (18 senadores) e o PSDB (16) passam a ter as maiores bancadas.

Em Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB) não levou a reeleição ao governo no primeiro turno, mas fez ampla maioria na Assembléia Legislativa. Os três maiores partidos da coligação (PMDB, PSDB e PFL) elegeram nada menos de 23 dos 40 deputados.

O ClicRBS, principal portal de notícias de Santa Catarina, deixou os internautas na mão na cobertura do dia das eleições. Ficou fora do ar ou muito lento durante a apuração, provavelmente porque não suportou o tráfego. O Portal AN, do jornal A Notícia (recentemente comprado pela RBS e em processo de incorporação ao grupo), e os portais nacionais salvaram quem acompanhou a apuração pela internet. A Folha On Line conseguiu as atualizações mais rápidas, segundos à frente dos plantões da Globo, na TV.

1.10.06

Chuchu atropelando por fora

Quatro semanas antes desta eleição, em Brasília, um amigo que trabalha no Congresso me perguntou:
– O que você acha que o PSDB ainda poderia fazer para virar o jogo?
– Nada. Não dá mais tempo. – opinei.
Errei, mas não totalmente. O PSDB realmente não fez nada. Foi o PT que trocou os pés pelas mãos. Primeiro com o escândalo do dossiê tramado por auxiliares do presidente dentro do Palácio do Planalto. E depois, com a recusa de Lula em participar de um debate com os demais candidatos quando todos lhe cobravam uma explicação. Deu nisso. Agora, quem diria, o chuchu tem grandes chances de ser presidente.

Aqui em Santa Catarina, no momento em que escrevo, a matemática já garante: segundo turno para governador entre Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e Esperidião Amin (PP). Luiz Henrique, assim como Lula, contava com a reeleição no primeiro turno.

30.9.06

Falha humana?

A queda do Boeing 737-800 da Gol com 155 pessoas a bordo (149 passageiros, entre eles uma menina de 11 meses, e seis tripulantes) é o maior desastre aéreo já registrado no Brasil.

É cedo para fazer julgamentos, mas tudo indica que houve falha humana, e não do piloto da Gol. O Boeing colidiu com um jatinho Embraer Legacy voando em sentido contrário, com cinco passageiros (quatro americanos e um brasileiro). As duas aeronaves eram novas (o Boeing tinha 200 horas de vôo e o Legacy, 600).

O jatinho deveria estar voando mil pés (cerca de 300 metros) abaixo do Boeing no momento do acidente. Portanto, um dos aviões desrespeitou as normas de aviação. Voar mais alto significa viajar num ar mais rarefeito, o que proporciona mais velocidade com menor consumo de combustível. Aeronaves modernas como essas voam praticamente sozinhas quando estão lá no alto. E ambas têm sistemas anti-colisão (uma alarme que avisa a aproximação de outra aeronave). E é mais fácil desviar um pequeno jato do que um grande avião de passageiros. O piloto e os passageiros do Legacy, que sobreviveram, terão que se explicar.

28.9.06

Star Trek

A série de TV Star Trek, conhecida no Brasil como Jornada nas Estrelas, acaba de completar 40 anos, em pleno vigor e cheia de filhos. Um bom texto para marcar a data é o assinado por Pedro Doria e publicado hoje no saite no mínimo. A tripulação da Enterprise (foto acima, recriada em versão digital), a nave comandada pelo capitão James T. Kirk e seus inseparáveis imediatos, o médico Leonard McCoy e chefe de ciências Spock S'chn T'gai (esse orelhudo aí abaixo, em foto da série original, mais conhecido como Dr. Spock), partiu em setembro de 1966, "em busca de novos mundos, novas civilizações, audaciosamente, onde nenhum homem jamais esteve". Dr. Spock era o único mestiço interplanetário da tripulação, filho de um príncipe vulcano e mãe terráquea, e o roteiro costumava explorar sua luta interna entre a natureza humana e vulcana.

O personagem marcou tanto o ator Leonard Nimoy que ele tentou livrar-se de Spock mais de uma vez. Quando a Paramount planejavam lançar um canal de TV e recriar a série, todos os atores da versão original aceitaram, exceto Nimoy. Acabou aceitando fazer um filme, que ganhou várias seqüências e pariu novas séries de TV. Nimoy chegou a fazer outros papéis, mas a sombra do personagem levou-o até a escrever um livro-desabafo: Eu não sou Spock. Recebeu tantas críticas dos fãs que escreveu outro para se explicar: Eu sou Spock. Acabou tornando-se roteirista das novas versões da série, depois da morte do criador do universo de Star Trek, Gene Roddenbery, em 1991.

Nimoy teve que aprender a conviver com Spock, assim como o personagem sofria a cada episódio para esconder a natureza metade humana sob o implacável racionalismo vulcano. "Spock, eu sei porque você não tem medo da morte", disse-lhe McCoy, durante uma discussão. "Porque tem medo da vida. A cada dia que vive corre o risco de errar e revelar seu lado humano". Spock concordou, educada e friamente, como um vulcano.

27.9.06

Não sei ganhar dinheiro. Bom para o HU

Abrindo um pouco de espaço no apartamento para a chegada do Xavier, separei uns 80 exemplares de livros para serem vendidos a um sebo ou diretamente a amigos interessados. Se cada um rendesse R$ 5, teríamos aqui uma receita de R$ 400. Não é nada, daria para comprar o carrinho de bebê e algumas fraldas, para quando o distinto herdeiro chegar, em março. Mas acabei convencido pela mãe do garoto a doar quase todos os livros (exceto uns poucos já reservado para amigos) à Associação Amigos do HU (AAHU). É um grupo de voluntários que arrecada dinheiro para melhorar o atendimento do Hospital Universitário (HU), ligado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O hospital é um dos maiores de Florianópolis e só atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A AAHU compra coisas como cobertores, cafeteiras e móveis para o hospital. Recentemente, conseguiram da Receita Federal até a doação de uma UTI móvel e do governo estadual (mesmo sendo um hospital federal) o dinheiro para a compra de um tomógrafo. O pessoal não é fraco. Para quem quiser colaborar, aqui está a lista dos livros que doei. Tem mais coisa boa por lá. O sebo fica no primeiro andar do Centro de Convivência, no campus da UFSC. Ao lado do sebo tem um brechó, também da AAHU, onde estão à venda uns discos de vinil que eu doei. Agora vou ter que arrumar dinheiro para o carrinho. Mas a Cléia vai fazer um curso de gestantes de graça no HU e não está descartado que faça o parto lá, já que o hospital é bom e perto de casa. Até de um ponto de vista egoísta, não é um dinheiro mal investido.

25.9.06

Negócio fechado

A RBS divulgou hoje comunicado oficial informando que assume integralmente no dia 1 de outubro o controle do jornal A Notícia, de Joinville. Era o último grande jornal de Santa Catarina que não estava sob o controle do grupo. O negócio foi acertado da sexta-feira, em Joinville, e fechado hoje, em Porto Alegre. Ainda hoje, o presidente da RBS, Nelson Sirotsky, fala a empresários de Joinville e amanhã aos funcionários do jornal. O novo editor-chefe é Nilson Vargas, ex-editor de outro jornal do grupo (Diário de Santa Maria, no Rio Grande do Sul) e com passagem pela revista Veja. Já trabalhou também no próprio jornal A Notícia.

22.9.06

Ciência

Ando cada vez mais atraído pela divulgação científica. Bela matéria dentro dessa área saiu hoje no Estadão. A Universidade de Brasília (UnB), uma das mais conceituadas do país, abriu um curso de extensão onde cientistas de várias áreas investigam... a astrologia. A idéia é colocar os mapas astrais dentro de parâmetros inteligíveis para a ciência, de modo que esses parâmetros possa ser estudados e questionados por físicos, astrônomos, engenheiros, médicos e outros pesquisadores. Em resumo, permitir à ciência dizer, sem preconceito, se alguma coisa na astrologia faz sentido ou não. Pode parecer bobagem a muitos céticos, mas a mim pareceu um belo exercício intelectual. Cumprindo o que se espera do bom jornalismo, a reportagem traz também a visão de astrônomos que caem de pau no povo do horóscopo e acham um desperdício uma universidade pública investir nisso. A polêmica só enriquece o tema.

15.9.06

Javalis

O jornal A Notícia publica hoje uma boa reportagem sobre a invasão da região Oeste de Santa Catarina por cerca de 8 mil javalis. Por transmitirem doenças a animais de criação, a presença dos javalis ameaça a produção agropecuária local, principal força econômica da região. Sem esperar autorização do Ibama, fazendeiros se armam para o abate dos animais selvagens, enquanto um agricultor adotou dois filhotes como bichinhos de estimação. O texto é de correspondente de AN em Chapecó, Luciano Alves.

13.9.06

Mais blogues

A lista de blogues amigos acaba de ser renovada. No lugar dos que saíram, por desistência ou falta de atualização, entram recomendações de peso. Marcelinho Santos, sujeito apaixonado por cinema, publica seus comentários confortavelmente Da Poltrona. E Dauro Veras fala um pouco de tudo, sempre DVeras em Rede. Boa leitura.

12.9.06

Xavier

Um dia vou lhe contar. Não vai ser bem desse jeito, eu acho, mas você vai ficar sabendo. No início eu tive medo e não deixei você vir. Tive medo de não ser bom o suficiente para ser seu pai. Sua mãe sempre teve certeza, sempre foi corajosa. Foi ela quem me convenceu. E aí eu entrei assim, meio desajeitado, tateando as paredes e tentando sentir o chão, na maior aventura da minha vida. Não é só uma maneira de dizer, não, por mais que pareça uma frase batida de discurso pronto. É exatamente, literalmente, precisamente isso. O maior desafio, o maior feito que eu poderia deixar no mundo. E tanta coisa não depende de mim. E tanta coisa eu tenho que aprender. Isso ainda me assusta um pouco. Vou fazer o melhor que puder. Espero que você me ajude e me ensine. Ainda falta meio ano para sua entrada oficial nesse mundo doido, mas você já dá sentido a tudo.

11.9.06

É MENINO!

Essa foi a grande novidade do ultra-som de hoje (precisa mais?). De resto, o rapazinho cresce saudável, já está com 14 cm e 140 gramas.

9.9.06

Pirenópolis

Conheci no fim de semana passado a pequena cidade de Pirenópolis, em Goiás, a menos de 150 quilômetros de Brasília. Lugarzinho muito legal. Povoado interiorano tradicional, Pirenópolis tem algo a ver com as cidades de colonização portuguesa do litoral catarinense. A Festa do Divino e as Cavalhadas são lá as principais festas populares, comemoradas com pompa, e a figura da cabeça de boi com os cornos floridos, emblema da Cavalhada, é onipresente. Mas não era época de nenhuma dessas festas e as atrações que conheci são outras. Ao mesmo tempo em que tem um povo muito católico e conservador, Pirenópolis atraiu há algumas décadas muitas comunidades de hippies, que se instalaram em sítios da região. Com a descoberta do turismo, nos anos 1980, e a recuperação do casario histórico colonial - a cidade já foi o centro de uma rica região de produção de ouro - outros imigrantes se misturaram aos antigos hippies e o povoado se transformou numa mistura de antigo e moderno. A rua do lazer, onde se concentram os bares e restaurantes, tem um pouco de tudo, em lugares pequenos, mas bonitos e aconchegantes. E os sítios em volta viraram destinos de ecoturismo muito procurados.


Duas atrações em particular me impressionaram bem. Uma delas é a igreja matriz. Construída no século 18, no auge do ciclo do ouro, foi restaurada em 1996 e quase completamente destruída por um incêndio em 2001. Por sorte, o então governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), é da cidade, o que certamente ajudou a captar recursos de grandes empresas e do próprio estado para uma nova restauração. A igreja foi completamente reconstruída e hoje abriga também um pequeno museu contanto como foi esse processo. Os técnicos tiveram que aprender a construír com adobe (técnica utilizada no século 18) para refazer a igreja como era antes. É impressionante a capacidade de isolamento térmico do adobe (argamassa a base de argila). Com um calor de quase 30 graus do lado de fora, a sensação dentro da nave principal da igreja é de que se está num ambiente com ar condicionado.

A outra atração é a Fazenda Vagafogo (o mesmo que vagalume, no linguajar local). O dono, Evandro, é um mineiro formado em Direito que nos anos 1960 foi hippie e foi morar numa comunidade alternativa na Bélgica, onde conheceu a atual mulher, também brasileira. Viajou por vários países e retornou ao Brasil nos anos 1980. Os dois conheceram Perinópolis (já um destino procurado por hippies), compraram uma fazenda e viraram pequenos agricultores, vendendo a produção em Brasília. Lá conheceram uma ONG, a Funatura, que os ajudou a transformar a fazenda em destino ecoturístico, há 15 anos, quando já tinham um filho adulto. Captaram recursos do governo britânico e da ONG WWF para construir um centro de visitantes. Metade da fazenda é de mata nativa e a outra metade produz frutas e gado. Arrumaram as trilhas e atraíram empresas que oferecem rapel, arvorismo e coisas do tipo. Mas a maior atração são os doces produzidos pela própria família com frutas do cerrado. Eles oferecem um brunch com a produção local que é barato e delicioso. E conseguiram tornar o negócio auto-sustentável. Além de tudo, são gente muito boa.

5.9.06

Outra Brasília


É bom mesmo não ficar só com a primeira impressão. Mas um dia na cidade e conheci um outro lado de Brasília, o lado bom de viver numa cidade planejada, arborizada e com amplos espaços públicos. O Parque da Cidade, um dos maiores espaços verdes urbanos do mundo, é a praia dos brasilienses. Há uma pista de oito quilômetros para corrida, caminhada ou ciclismo, um lago e um centro de convenções. Deve ser em função de um espaço destes que Brasília tem tantos atletas chegando entre os primeiros lugares de maratonas disputadas país afora.

O sistema de superquadras torna fácil encontrar qualquer endereço dentro do Plano Piloto (o centro projetado por Oscar Niemeyer, em forma de avião). Muitas quadras residenciais têm suas próprias "prefeituras" que cuidam da manutenção das áreas comuns de lazer e paisagismo. E ainda há as belas paisagens do Lago Paranoá.

Acabei descobrindo que Brasília é um bom lugar para morar, apesar do preço alto dos aluguéis. A cidade só precisa de um sistema de transporte coletivo urbano mais eficiente. Talvez por ter sido construída com tantas facilidades ao automóvel, a capital de largas avenidas ainda não tenha um metrô para deslocamento dentro do Plano Piloto.

2.9.06

Brasília


Muita gente acha estranho passar férias na capital federal - e é mesmo. Mas há amigos na cidade com visita prometida há tempos e finalmente usei isso como desculpa para conhecer Brasília. Ainda não pude ver muita coisa, só um passeio cívico rápido pelo Memorial JK, Catedral, Esplanada dos Ministérios e Praça dos Três Poderes. Coisa de turista. A primeira impressão foi de uma cidade bonita mas mal cuidada, com aspecto de uma imensa repartição pública. Mas o pôr-do-sol no Planalto Central é belo e as linhas de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, mesmo sem polimento, não perdem totalmente o brilho. O tempo está bastante seco e quente, o que não contribui para tornar um passeio agradável. Nos próximos dias, mais descansado, pretendo conhecer melhor a capital.

30.8.06

Missões

Retornei ontem de uma viagem de estudos às ruínas de antigas reduções jesuíticas no Paraguai, Argentina e Brasil, os conhecidos 30 povos das missões. As reduções eram cidades fundadas e controladas por padres jesuítas entre o final dos anos 1600 e meados dos 1700, que chegavam a abrigar, cada uma, 5 mil guaranis. Apenas dois padres controlavam cada cidade, com o apoio de caciques locais. Foi um impressionante projeto de civilização, destruído pela força quando o êxito das reduções entrou em conflito com os interesses políticos e comerciais dos reinos de Portugal e Espanha. Comentei com um amigo que, para um interessado em história colonial, visitar esses lugares é como assistir a uma apresentação do Pink Floyd.


Visitamos três ruínas. A mais impressionante é a de Trinidad del Paraná, no Paraguai. Impressiona o tamanho da cidade de pedra e especialmente da catedral. Havia casas na área urbana para quase 900 índios, com mais 4 mil estimados na zona rural em volta. Na Argentina, visitamos a redução de San Ignacio Mini, também imensa e com suficientes ruínas remanescentes para dar uma boa idéia do que era o lugar. Finalmente conhecemos São Miguel Arcanjo (foto acima), no Brasil. As três têm uma boa estrutrura para receber turistas. O diferencial de São Miguel é o espetáculo Som e Luz, com vozes gravadas de autores globais e projeções de luz que fazem as ruínas contarem sua própria história - romanceada, é verdade - sob o céu estrelado e o frio da região de fronteira do Rio Grande do Sul.

29.8.06

ANJ pisa na bola

A Associação Nacional de Jornais recusou a filiação do Diarinho

24.8.06

RBS compra A Notícia

A informação é do blogue De olho na capital, do jornalista César Valente.

Falta de vergonha na cara!

Publicado em 23/8 e atualizado em 24/8

Vergonhoso. É talvez a palavra mais leve para descrever o comportamento do sr. Miltinho Cunha, um cara que, ao se dizer jornalista e manezinho, envergonha os dois grupos - dos quais faço parte. A culpa é também do jornal O Estado, que deu espaço para esse sujeito. Há pelo menos um ano, o sr. Miltinho Cunha vinha plagiando descaradamente textos do blogue Querido Leitor, de Rosana Hermann. Apanhado em flagrante, ainda tentou se desculpar com uma mentira, afirmando na coluna que uma jornalista colaboradora havia plagiado duas notas, sem o conhecimento do próprio Miltinho. A perna curta não conseguiu caminhar por uma hora. A história toda está no Querido Leitor. Na corda bamba, o sr, Miltinho Cunha agora vai tomar um processo.

Uma bela discussão sobre o caso está no Comunique-se. De acordo com o saite especializado em comunicação, a direção de O Estado ainda estuda providências contra o copista. O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina ainda não se manifestou sobre a questão ética. O jornalista César Valente também comentou o assunto no blogue De olho na capital (reprodução da coluna no Diarinho). E o Blue Bus publicou uma nota.

E para não repetir o plágio, a foto, editada, é de Cláudio Araújo, publicada na página do fotógrafo Marco Cezar.

22.8.06

Ficção, nem sempre científica

Resolvi abrir mais espaço no Bobagera para meus textos de ficção - os que mais combinam com o nome do blogue, por falar nisso. Agora eles ganharam uma seção própria na lista de linques aí do lado. Com a ajuda do Writely, processador de textos on line do Google, transformei histórias em páginas da internet. Assim pude adicioná-las como linques próprios, permitindo uma leitura mais confortável e a impressão individual dos textos. Reproduções são permitidas, desde que citado o autor.
Os três primeiros integram a série de ficção científica A Ilha, publicada originalmente no blogue coletivo +D1. Os três seguintes são contos escritos em 2001. Eles integram a coletânea Contos de Oficina 28, editada em 2002 pela WS Editor. O livro é resultado da 28ª Oficina de Literatura da PUC-RS, organizada pelo escritor Luiz Antonio de Assis Brasil, do qual fui aluno. Baratas não sabem ler é sobre uma guerra particular. Passe livre é sobre o terror particular. E Viela é talvez sobre o tempo.

21.8.06

Meia dúzia de jornais

Florianópolis nunca teve tantos jornais ao mesmo tempo. A partir do dia 28, serão quatro com sede na capital: Diário Catarinense, do grupo RBS, é o mais lido. O Estado é o mais antigo (1915), cambaleante mas ainda vivo. Notícias do Dia, da Rede SC (empresa que controla a afiliada local do SBT) é o mais novo (lançado em março deste ano) e o primeiro de caráter "popular". Na mesma linha, começa a circular na semana que vem Hora de Santa Catarina, da RBS.

Mas a concorrência pelo leitor local não fica entre esses quatro. A partir de hoje, o Diarinho (jornal de Itajaí que segue uma linha popular mais escrachada) passa a circular com uma capa específica para Florianópolis, além de já publicar a coluna De olho na capital, assinada pelo jornalista César Valente. E A Notícia (segundo jornal mais lido do Estado, de Joinville), mantém desde 1995 um caderno regional para a Grande Florianópolis, o AN Capital.

É verdade que a cidade cresceu muito nos últimos anos, recebendo gente pobre e rica, mas será que tem mercado para tanto papel impresso? Meu palpite (é só um palpite, sem nenhum estudo prévio) é que alguém vai ser empurrado para fora do barco, em pouco tempo. Pelo menos, com mais concorrência, quem sabe os jornais não melhoram? Por enquanto, se melhorar o mercado de trabalho para jornalistas, já é um ganho.

20.8.06

Assim nascem as ditaduras

Um jornaleiro de Porto Alegre decide não vender mais as revistas Veja e Época, porque são "liberais". E confessa que tem como desejo ver os clientes da banca comprarem mais exemplares da Carta Capital, Caros Amigos e Reportagem.

Bela iniciativa, não? Tentar impedir que as pessoas leiam algo diferente do que você pensa. A ditadura militar fez a mesma coisa. Isso é tratar o público como idiota e não contribui em nada para a democracia. Quando achei que a Veja estava ruim demais, parei de comprar. É o suficiente. Quando encontro uma por aí, leio o que me interessa e separo o joio do trigo.

O leitor não é passivo, isso se pensava nos anos 1930, quando o nazismo usou estrategicamente os meios de comunicação de massa e os intelectuais de Frankfurt ficaram assustados. O leitor sempre filtra o que lê, de um modo ou de outro. Pode ler a Veja e concordar ou não com as idéias defendidas ali. Mas não querer que os outros leiam aquilo que você acha ruim só tem um nome: censura. Esse sujeito seria um bom censor.

15.8.06

Invasão de privacidade

Paternidade deixa a gente bastante tolo, eu sei, mas até que estou achando divertido esse negócio de acompanhar exame de ultra-som. A Cléia fez o segundo hoje. A criança está com pouco menos de 6 centímetros e começa a ficar parecida com gente - mas só um pouco. Com 12 semanas de gestação, os dedos das mãos e dos pés são bastante visíveis, por exemplo.

O exame é uma tremenda invasão de privacidade - flagramos o indivíduo chupando dedo! - mas muito importante para detecter possíveis más formações. A mamãe passou com nota 10. O médico já descartou qualquer doença genética grave. O sexo ainda não está visível - esses paparazzi de jaleco realmente não deixam ninguém em paz - e daqui a 15 dias outro exame dirá se é menino ou menina.

14.8.06

Nuevo papá


Tecnicamente ainda não sou pai, já que a cria só sai da barriga da mãe em março. Mesmo assim, já recebi o primeiro presente de Dia dos Pais. A gente vai tirando vantagem onde pode. Ganhei o primeiro disco da série Hecho en Cuba, com a turma do Buena Vista Social Club (a velha guarda da música cubana que fez sucesso no documentário de Win Wenders, produzido em 1998 pelo guitarrista americano Ry Cooder). Os velhinhos do Buena Vista estão todos ali: o pianista Ruben Gonzales (duas das melhores faixas), Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Eliades Ochoa e Omara Portuondo.

Destaque para Chan Chan, uma espécie de música-tema do documentário. Dá vontade de fazer o itinerário repetido no refrão, se um dia for a Cuba: "de Altocedro voy para Marcané, llego a Cueto, voy para Mayari". Com o noticiário atual, fazer elogios à música cubana pode parecer propaganda do regime de Fidel, mas não é. De certo ponto de vista, é mesmo o oposto. Os velhinhos eram (a metade já morreu) um tesouro musical abandonado pela Cuba de Fidel e redescoberto por um músico americano.

A capa do CD imita uma caixa de charutos cubanos. E para combinar, também ganhei um Quintero havano, para quando o bebê nascer. O PH vai ter que me explicar como se fuma isso.

5.8.06

Nem tudo está perdido

Prenderam o Legislativo e o Judiciário de Rondônia.

3.8.06

Reforma política

A raiz grega da palavra crise (krisis) significa "crescer". As grandes crises trazem muitos males, mas também criam condições para mudanças. O governo anunciou que encampa a proposta da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de convocar uma nova constituinte específica para fazer a reforma política. A proposta seria apresentada à sociedade depois das eleições, independente do resultado, e coordenada pela OAB. É um primeiro passo, mas importante. Abre a possibilidade de que a reforma seja feita por uma instância independente do Congresso.

31.7.06

Corrupção

É bom que os eleitores não votem em políticos envolvidos em escândalos com dinheiro público, mas o debate sobre a corrupção no país deve ir além disso. A corrupção é estrutural no Brasil, faz parte de uma síndrome praticamente congênita do Estado. Claro, não é por ser estrutural que não possa ser combatida, mas nenhum presidente vai pode acabar com essa praga por iniciativa própria, mesmo que sinceramente o deseje. Sinto muito.

Uma maneira séria de combater a corrupção é aperfeiçoar as instituições capazes de atuar contra o problema. E isso não depende só do Executivo - embora ele deva colaborar - mas fundamentalmente do Judiciário e do Legislativo. É aí que está o nó. A França reduziu bastante a corrupção mudando a lei do orçamento. Fez a lição de casa que não aprendemos com o escândalo dos anões, em 1992. O caso dos sanguessugas nada mais é do que um repeteco da bandalheira da era Collor.

Só que é muito difícil que um Legislativo como este faça alguma mudança séria nas regras do orçamento, como acabar com as emendas individuais. O Congresso precisa ser limpo. Isso poderia ser feito por uma combinação de duas coisas: o voto e uma atuação mais firme e eficiente do Judiciário (incluindo o Ministério Público). Com um Judiciário lento e pouco independente dos outros poderes, fica difícil fazer algo funcionar. Sem punição, os maus políticos controlam o sistema eleitoral e o cidadão-eleitor fica sem muita alternativa.

Por isso cada vez mais acredito que a raiz de tudo está na educação. Um povo educado participa mais ativamente da democracia e tende a perceber com mais nitidez que dinheiro público não é do governo. É seu. Um povo educado, alfabetizado e criativo, é menos dependente do próprio Estado e mais capaz de pressioná-lo para que mude. Mas aí estamos falando de médio e longo prazo. Primeiro, é preciso que haja na sociedade um consenso grande o suficiente para que a educação seja considerada prioridade de Estado (mais do que de um governo). Aí poderíamos ter um sistema nacional de educação - não isso que temos hoje.

29.7.06

Repórter de Polícia

O colega Marco Zanfra acaba de lançar o blogue Repórter de Polícia. Com experiência na área, Zanfra publica comentários que ajudam a enriquecer o trabalho dos profissionais dessa área tão específica e pouco valorizada do jornalismo. Já entrou para a lista dos blogues amigos, aí do lado.

24.7.06

Confirmado. Ta lá

Cléia fez hoje o primeiro exame de ultrasson. A criança tem 2,15 cm, mas tá lá. Eu vi. Parece mais com um feijão do que com gente de verdade, mas já tem cabeça, uns toquinhos de braços e pernas e um coração funcionando a 170 batidas por minuto. Está tudo bem com mãe e filho.

23.7.06

De meninas e novos donos da casa

Antes de tudo um aviso. Corro o risco de virar um daqueles pais chatos que falam só dos filhos, mas como já disse, o blogue é meu e aqui eu escrevo o que eu quero.

Ainda não caiu direito a ficha. Não achávamos que aconteceria tão rápido, depois que abandonamos os métodos contraceptivos em abril. Mas já está ali, se formando, ainda pequeno demais para se parecer com um ser humano. Dois meses de gestação. Confesso que resisti à idéia de ter filhos, por não me sentir capaz de ser pai, em vários aspectos. Mas afinal, quem é? Se tanta gente tem sucesso em condições mais duras, por que eu não conseguiria? Espero aprender. Vou tentar fazer o melhor que puder.

Os possíveis nomes já foram escolhidos.
O de menina agradou todo mundo: Nina.
O de menino é mais polêmico: Xavier.

Nina parece ter origem na palavra italiana ninna, que quer dizer simplesmente menina. É um nome relativamente comum na Alemanha e combina com os sobrenomes Schmitz (da mãe) e da Costa (do pai). A inspiração veio no nome de uma amiga alemã, que mora em Bonn.

Xavier tem origem basca e significaria novo proprietário da casa. Nada mais apropriado, diga-se. A inspiração é antiga, veio de um sobrenome acrescentado voluntariamente por meu avô materno ao próprio nome (não sei a razão, talvez apenas porque achasse bonito). Muita gente estranha, porque no Brasil é mais usado como sobrenome. Mas Xavier se impôs sozinho.

20.7.06

Estamos grávidos!

Comunico que no início de março deve aportar ao mundo um pequeno herdeiro (ou herdeira) do patrimônio cultural (já que econômico tá difícil) deste que vos blogueia. Sra. Cléia Schmitz, aquela que divide comigo as alegrias, tristezas e despesas de casa, espera um rebento há mais de um mês, soubemos agora.

2.7.06

A Ilha em duas versões

Agora tenho dois textos publicados que tratam do mesmo assunto sob as perspecitivas distintas do jornalismo e da ficção. O AN Capital de hoje traz uma pequena reportagem, resultado de entrevista com dois especialistas em mudanças climáticas, sobre os reais efeitos que o aquecimento global pode ter sobre uma cidade como Florianópolis. A versão ficcional está em A Ilha.

1.7.06

O Globo

Nos próximos dias, começo a publicar reportagens em mais um jornal. Fechei um trabalho de freelancer fixo como correspondente de O Globo em Florianópolis.

30.6.06

Capa do JB de hoje

29.6.06

Urubici


Estive no último fim de semana em Urubici, na serra catarinense, visitando algumas das mais belas paisagens por aqui. A foto acima é do Morro da Igreja, o segundo ponto mais alto do Sul do Brasil, com 1.822 metros acima no nível do mar (o primeiro é o Morro da Boa Vista, ali do lado, sem acesso ao topo). Ali ficam duas torres da Aeronáutica com radares que controlam todo o tráfego aéreo da região Sul. Urubici tem outros bons lugares para visitar, como o Morro da Cruz e a impressionante Serra do Corvo Branco, uma estrada sinuosa impressionantemente escarpada na montanha. Mais ao sul, entre os municípios de Bom Jardim da Serra e Lauro Müller, voltamos para casa pela Serra do Rio do Rastro, um dos principais pontos turísticos do Estado. É uma versão mais civilizada do caminho quase selvagem da Serra do Corvo Branco.

22.6.06

O nome do jornal

Parece mesmo que a RBS não vai brincar em serviço. De acordo com nota publicada no Comunique-se, o marketing do novo jornal do grupo em Florianópolis vai chegar forte às ruas antes do primeiro exemplar. Os veículos da rede devem fazer uma promoção para escolher o nome do diário popular, que entraria em circulação no segundo semestre. Comenta-se que o Notícias do Dia, outro jornal popular lançado há três meses pelo SBT, estaria roubando leitores do Diário Catarinense (o mais lido de Santa Catarina, também da RBS), o que teria apressado os planos do grupo em colocar na rua um concorrente direto.

21.6.06

O Popular da RBS

A reação da RBS não levou três meses. Em março, a Rede SC, retransmissora do SBT em Santa Catarina, lançou um jornal popular em Florianópolis, o Notícias do Dia. Foi um relativo sucesso. O jornal é vendido a apenas R$ 0,50 o exemplar, só nas ruas (não há assinaturas) e segue uma linha bem popularesca (futebol, polícia, fofoca, apelo sexual, serviço), além de atuar em sinergia com duas rádios e uma TV da mesma rede (até então só a RBS fazia isso).

Agora a RBS vai lançar seu próprio jornal popular. Líder de audiência (em TV e rádios) e de leitura (com dois jornais), além de ser a afiliada da Globo em Santa Catarina, o poderoso grupo gaúcho está preocupado como o minúsculo Notícias do Dia. Mas isso é típico da cultura da empresa, que presta muita atenção a qualquer concorrente debaixo de sua asa. Resta saber se a Rede SC vai comprar a briga ou tirar o time de campo.

20.6.06

Universidade

Grupos de professores e alunos das áreas de ciências humanas em universidades estatais (como a UFSC, onde eu estudo História, depois de me formar em Jornalismo), vivem bradando contra o risco de "privatização". Apontam acusatoriamente para os departamentos das áreas tecnológicas, por receberem dinheiro de empresas privadas para pesquisas. Acho que essas críticas partem de um conceito equivocado sobre o que seja público e privado. Não interessa de onde vem o dinheiro, mas sim para onde ele vai. Se um departamento é totalmente financiado por recursos do Estado, mas não beneficia a sociedade com seu trabalho, ele não é uma instituição pública. Foi privatizado por uma corporação de funcionários, que recebe salários do Estado para realizar tarefas inúteis. Uma universidade pública não fica fechada em si mesma. Isto é um exemplo. Se pelo menos os cursos de ciências humanas se preocupassem com as escolas para as quais formam professores...

19.6.06

De volta para a África

Adeptos politicamente corretos de teorias conspiratórias têm com o que se ocupar nessa Copa do Mundo. Duas seleções negras africanas foram flagrantemente roubadas pelos juízes em favor de times de brancos europeus. A primeira foi a Costa do Marfim, na derrota por 2 a 1 pela Holanda. Os dois pênaltis não marcados a favor dos africanos poderiam ter invertido o placar e deixado a Costa do Marfim (eliminada) com chances razoáveis de passar às oitavas. Hoje, a história quase se repetiu com Togo, no jogo contra a Suiça. Outros dois pênaltis não marcados pelo árbitro paraguaio. Será que alguém vai chiar, ou esse pessoal não assiste futebol?

18.6.06

Brasil (não é sobre a Copa)

É difícil hoje em dia encontrar um político pronto a dizer algo que valha a pena ser ouvido. Mas sempre existem as exceções. Não é perda de tempo reservar meia hora para ouvir isto.

14.6.06

Avaí na Copa

A última das cinco seleções com técnicos brasileiros estreou hoje na Copa do Mundo: a Arábia Saudita (que aliás, tem 11 brasileiros na comissão técnica). O treinador é Marcos Paquetá, que comandou o Avaí em 2004. Isso quer dizer o seguinte: absolutamente nada.

Isso sim é estréia

Esqueçam o que eu disse antes sobre o futebol europeu. A Espanha acaba de salvar a honra do velho continente.

13.6.06

Copa do Mundo

Nem vou falar do 1 a 0 do Brasil sobre a Croácia hoje. Nem mesmo para dizer que acertei o placar (achei que o gol seria da Croácia, mas isso não vem ao caso). Agora, por conta da tal tabela que vou preenchendo aqui em casa a cada jogo, tenho acompanhado a maioria dos jogos e me arrisco até a algumas opiniões. Por exemplo: já não seria tempo de reduzir a proporção de seleções européias na Copa do Mundo? É de se pensar nisso quando assistir Coréia do Sul x Togo (já ouviu falar de Togo, um risquinho na costa ocidental da África?) é um espetáculo mais interesante que França x Suíça. A Europa tem em seus campos o melhor futebol do mundo, mas os melhores jogadores não são os europeus. Ter 14 equipes européias entre as 32 seleções começa a parecer demais.

12.6.06

Copa em quadrículas

Estou começando a ficar preocupado com uma coisa. Desconfio que sofro de um transtorno obsessivo-compusivo (TOC) - colocar sigla em doença já é, em si, uma doença - que me compele a preencher formulários. Sou do tipo que faz a própria declaração de imposto de renda - e da esposa - todo ano. Participo sempre daquelas promoções que você recebe pelo correio, tem que preencher uma porção de quadrículas com letras de fôrma e procurar uma caixa de correio para enfiar o envelope com porte pago. Quando criança, tinha um caderninho em que anotava a pontuação dos pilotos de Fórmula 1 prova a prova, somava o desempenho e ainda fazia cálculos de probabilidades. Agora a Cléia me fez o favor de colocar na parede uma tabela da Copa. Assim que termina cada jogo sou compelido a anotar o resultado e os pontos da partida. E eu, que nem sou muito de acompanhar futebol, saí hoje com um radinho para saber o resultado de República Tcheca x Estados Unidos. E ainda levei uma outra tabelinha, de bolso, para anotar na hora que o radinho informasse o resultado. Será que é sério?

11.6.06

Educação e Energia

De acordo com o colunista Kennedy Alencar, da Folha, esses seriam os dois principais motes de um eventual segundo governo Lula. É uma boa notícia.

10.6.06

De volta

O Casa Proença, do amigo Giancarlo, volta à lista de blogues amigos aí do lado. O autor venceu a preguiça e voltou a escrever. Recomendado aos leitores do Bobagera.

6.6.06

Graduação

A educação brasileira é deficiente, em parte, porque os professores têm formação deficiente. E isso acontece, também em parte, porque muitos professores universitários de universidades públicas - responsáveis pela formação da massa dos profissionais do ensino fundamental e médio - não dão importância aos cursos de graduação. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) encerrou ontem seu Censo Bibliográfico da Graduação. Trata-se de uma pesquisa entre os professores dos cursos de graduação da UFSC para que indiquem os livros a serem comprados para os acervos da instituição. Pois apenas 20% dos professores responderam. E quem usa as bibliotecas da UFSC sabe que a razão disso não é a abundância de livros. É puro descaso com a graduação. A maioria dos professores prefere dedicar-se à pesquisa, disputando assim algumas verbinhas federais extras. Isso resulta num grande volume de papers, mas não necessariamente em retorno à sociedade.

1.6.06

A Ilha

Entre março e maio deste ano publiquei, inicialmente no +D1, depois aqui, a série de ficção A Ilha, em 24 minicapítulos, especialmente para um blogue. Minha amiga Ana Paula Luckman, em comentário a um dos primeiros posts da série, sugeriu que eu publicasse os textos em papel. Acabei de fazer quase isso. Seguindo uma dica de outro amigo, o jornalista Alexandre Gonçalves, coloquei um linque aí do lado, na lista de Dicas, que abre um arquivo em formato pdf com o texto integral de A Ilha. Agora é possível baixar o texto inteiro no computador ou imprimir. Reproduções são permitidas, desde que citado o autor.

31.5.06

Bonde

Depois de três anos de uma briga entre a cidade de Florianópolis e o sistema de transporte coletivo, o governo decidiu pensar a sério - aparentemente - numa alternativa. O transporte público da capital catarinense depende hoje totalmente dos ônibus (com exceção de uma pequena comunidade da Costa da Lagoa, onde há um serviço público de barcos). Nos anos 1990, A prefeitura tentou implantar um sistema complementar de transporte marítimo - afinal a maior parte da cidade está instalada numa ilha. Mas o tal sistema não se viabilizou e, mesmo que tivesse sucesso, não resolveria os problemas de ineficiência do transporte municipal. De acordo com matéria publicada hoje no AN Capital, estudos para implantação de uma rede de veículos leves sobre trilhos (VLT, vulgo bonde), deve estar pronta até o fim do ano. Comum em cidades européias de porte médio, o bonde entraria em funcionamento, numa previsão otimista, em 2010.

29.5.06

Servidores...

Depois funcionário público não quer ter má fama. Chego depois do almoço à Biblioteca Pública do Estado, onde pretendia fazer uma pesquisa em jornais antigos para o meu trabalho de conclusão de curso, e dou com a cara na porta. Um cartaz avisa (pelo menos isso): "a Biblioteca Pública estará fechada a partir das 13 horas para reunião de seus servidores, voltando a abrir quando a reunião terminar". Tudo bem, o pobre do usuário que espere, afinal os servidores não estão aí para servir, mesmo, não é? Já tiveram a idéia de fazer reuniões em dois turnos, ou então fora do horário de expediente externo?

24.5.06

O dinheiro das cidades

Matéria do colega Lúcio Lambranho, capa do Jornal do Brasil de hoje, mostra que dois terços das verbas repassadas pelo governo federal aos municípios (cerca de R$ 66 bilhões por ano) acabam desviados. Comentei o assunto também no +D1.

28.4.06

Acidentes de trabalho

Certas profissões são mais perigosas do que parecem e o imponderável (podem chamar de sorte ou azar) pode ser a diferença entre a vida e a morte. Um catador de papel morreu numa rua de São José, na Grande Florianópolis, de uma forma absurda. Foi levemente ferido num atropelamento e socorrido pelo motorista envolvido no acidente. Estava na calçada aguardando atendimento dos bombeiros quando outro carro bateu no veículo estacionado e o arremessou contra o pobre coitado. Atropelado duas vezes, não resistiu.

Ontem, o operário Osvaldo Kunz, de 49 anos, teve mais sorte (ou menos azar). Trabalhava no conserto do telhado de uma escola quando caiu num local inacessível aos socorristas do Serviço de Atendimento Mérico de Urgência (Samu) e teve traumatismo craniano. Foi içado por um helicóptero da PM até o campo de futebol da escola, onde a ambulância o aguardava para levá-lo ao hospital. Sobreviveu.

23.4.06

Blogue é imprensa?

A Apple está processando três blogueiros por divulgarem informações estratégicas da companhia. Os responsáveis pelos blogues apelaram para a legislação de imprensa, alegando o direito de não revelar as fontes. A Apple afirma que o argumento não vale, porque blogue não é imprensa. E agora? A notícia é do Estadão.

8.4.06

Assaltaram o jornal O Estado!

Soube que ontem à tarde, dia de pagamento, ladrões invadiram a redação do moribundo jornal O Estado, em Florianópolis, e assaltaram as pessoas que estavam lá trabalhando. Sinto pelos amigos que trabalham lá, mas não dá para deixar de fazer piada com a coisa. Como disse o meu amigo Jacaré, ao saber da notícia: "mas que ladrão desavisado!". A turma não tá perdoando ninguém, nem os jornalistas de O Estado, que recebem salário com atraso de três meses, em parcelas e vales. Periga o ladrão ter ficado com pena e distribuído umas esmolinhas por lá. Antes tivessem ido direto à sala do dono do jornal, José Matusalém Comelli. Poderiam até não levar grande coisa, mas teriam cem anos de perdão.

5.4.06

O Estado

O blogue de César Valente, que reproduz a coluna do jornalista no Diário do Litoral, traz mais detalhes sobre o caso do jornal O Estado, agora sob nova direção. Especula o colunista que o "sócio oculto" de Adriano Kalil (que oficialmente comprou 40% de O Estado) seria o secretário estadual de Comunicação, Derly Massaud de Anunciação. O secretário nega. Mas há outros boatos, não mencionados por Valente. O tal "sócio oculto" seria um empresário português que estaria comprando vários pequenos jornais no país, alguns deles em Santa Catarina.

2.4.06

Homem ao mar

Banho de mar é mais divertido longe da praia. Como esse aí, no meio da Baía Norte, em Florianópolis (a água nesse ponto da baía é limpa, é bom avisar). Amigão Giancarlo me convidou para velejar, levando ainda na tripulação Lauro Maeda. Só faltou um detalhe: o vento. O veleirinho foi tocado por um motor de 3,3 HP a maior parte do tempo. Mas valeu muito. Velejar é um dos programas mais legais que já pude experimentar.

30.3.06

Notícias do Dia

Um amigo conversou com o jornaleiro de uma banca da esquina e teve a mesma impressão que relatei aqui na semana passada, quando começou a circular em Florianópolis um novo jornal popular, o Notícias do Dia. Contou o tal jornaleiro que, com a entrada do novo jornal, quem passou a vender menos foi o líder de mercado Diário Catarinense, exceto nos dias em que traz os classificados. Que aconteceria se o Notícias do Dia (vendido a R$ 0,50 o exemplar, contra R$ 1,50 do DC) começasse a fazer sucesso com seus próprios classificados?

28.3.06

O Estado

O blogue do jornalista Carlos Damião informou hoje o que pode ser o retorno do moribundo O Estado. O jornal mais antigo de Santa Catarina ainda em circulação (foi fundado em 1915) foi também o principal jornal do Estado até os anos 1980. Mas a concorrência do Diário Catarinense (criado em 1986 pelo grupo RBS) e uma má gestão acabaram transformando o "mais antigo" numa sombra do que foi. Apesar de manter o nome, o jornal deixou de circular em todo o Estado, trocou o formato grande (standart) para tablóide e tem hoje a circulação restrita a um punhado de assinantes teimosos na região de Florianópolis. Afundada em dívidas impagáveis, a empresa não encontrou comprador e a publicação caminhava para a extinção. Agora há um fato novo. Um empresário, ex-funcionário de O Estado, comprou 40% do jornal. A publicação será substituída por uma nova: "O Estado de Santa Catarina". O "estadinho" atual continuaria a circular, com periodicidade menor.

27.3.06

Substituição

E o time de blogues amigos do Bobagera tem uma alteração. Entra Questão de Momento, da nossa colega de +D1 Kátia Negreiros - Katita para os íntimos. Já faz parte da seleção aí do lado. Vai para o banco o Casa Proença, do amigão Giancarlo Proença, que decidiu tirar o blogue de circulação por uns tempos.

E há mais novidades. O clube Bobagera acaba de fechar uma nova contratação. O elenco de blogues amigos tem agora também Gucabral, do jornalista Gustavo Cabral, um cara viciado em fotografia.

24.3.06

Desinauguração

O secretário estadual de Educação de Santa Catarina, Diomário de Queiroz, passou por um grande constrangimento na segunda-feira, ao ser obrigado a "desinaugurar" uma escola em Paulo Lopes, cidade a uma hora de Florianópolis. A história está na edição de hoje do AN Capital. Veja também a história do guarda municipal de São José, punido por multar o filho do prefeito.

23.3.06

A Ilha

Acompanhe a partir de hoje, no +D1, a série "A Ilha", pequena aventura deste blogueiro irresponsável pela ficçcão. A série foi escrita especialmente para um blogue, em minicapítulos do tamanho de um post. Eles serão publicados a cada três dias. Comente, por favor.

22.3.06

Verão de W a Z

Encerrou-se hoje a primeira temporada do +D1, blogue coletivo do qual faço parte e que estréia nesta quinta-feira um novo tema: cidade. O idealizador do +D1, Alexandre Gonçalves, encerrou a Edição Verão com uma espécie de índice remissivo, com palavras que remetem a algumas das 192 notas publicadas no blogue durante essa primeira temporada.

Uma outra idéia, não colocada em prática, era associar cada letra do alfabeto a uma frase relacionada ao verão, fazendo assim um outro tipo de lista. Como sou besta, escolhi as mais difíceis: K, W, X, Y e Z. Como o Bobagera é meu e aqui eu escrevo o que eu quiser, aí vão os cinco verbetes não publicados no +D1. Não quero desperdiçar esse extremo esforço intelectual.

Kombis, motor-homes e outras esquisitices sobre rodas deslocaram-se em massa do interior para o litoral, despejando gente em estreitas faixas de areia salgadas pelo mar.

Watts e mais watts foram consumidos com ar-condicionado gelado, chuveiradas intermináveis, freezers, ventiladores e todo tipo de quinquilharias elétricas.

Xampus foram consumidos às toneladas em tentativas vãs de tirar o sal marinho dos cabelos.

Yes, tivemos people de todo hogar enjoying una playa right here, en la isla.

Zarparam há pouco milhares de pessoas, moradores de uma semana. Alguns voltarão.

19.3.06

Boas notícias do interior

Voltei ontem de uma curta viagem de estudos com minha turma de graduação em História da UFSC. Visitamos museus e arquivos históricos em Itajaí e Blumenau. Fez um calor do cão, ficamos num albergue fuleiro sem ar condicionado e com muitos mosquitos e o fato de eu ter quase o dobro da média de idade da turma não me fez sentir exatamente mais jovem. Mas apesar do cansaço, o passeio foi animador. Conheci gente que se empenha em projetos voltados para o conhecimento e a educação, num país que parece não dar muita bola para essas coisas. E com resultados interessantes, ainda que limitados e a despeito das dificuldades.

Comoveu-me o esforço do pessoal do arquivo histórico de Blumenau. O acervo foi totalmente destruído por um incêndio em 1958. Desde então, houve um intenso esforço junto a famílias, escolas e instituições da cidade para remontar tudo. Todo o projeto é pensado para facilitar o acesso dos pesquisadores aos documentos, com um intenso esforço de catalogação, digitalização, organização por temas e até um serviço rudimentar de consulta via internet. E o mérito parece ser da própria equipe do arquivo, apaixonada pelo que faz.

No interior de Itajaí, um grupo de pesquisadores, com apoio da prefeitura, está engajado na recuperação de uma antiga estação ferroviária, que será transformada num museu etno-arqueológico e num laboratório de pesquisa voltado para um trabalho com as escolas da rede municipal, envolvendo ainda a comunidade do entorno, no distrito de Itaipava. A Justiça local atrapalhou o projeto, atrasando em mais de um ano a obra de restauro, por conta de uma liminar obtida por uma empresa desqualificada na licitação. Mas eles não desanimam.

15.3.06

O mais novo e o mais antigo

Conversei outra vez com meu amigo jornaleiro. Na opinião dele, quem perde com a entrada em Florianópolis do jornal Notícias do Dia é mesmo o vetusto e moribundo O Estado, hoje em dia mais conhecido como Estadinho. Outrora o mais importante jornal catarinense, o diário que começou a circular em 1915 entrou num processo de decadência irreversível nos anos 1990, em parte provocado pela concorrência do Diário Catarinense (lançado pela RBS em 1986). Mas é da administração temerária de José Matusalém Comelli, atual dono do jornal, a maior parte da culpa. O Estado tem tudo para não chegar aos 100 anos.

14.3.06

Novo jornal

A amostra é ridiculamente pequena, mas conversando com o jornaleiro de uma das bancas de revista do centro de Florianópolis, tive algumas surpresas. O novo jornal que estreou ontem na cidade parece ter conquistado boa aceitação. O Notícias do Dia é um diário popular (sangue, futebol e mulher pelada, embora sem a linguagem chula de outro jornal catarinense, o Diário do Litoral), vendido a R$ 0,50, da mesma empresa que controla a afiliada local do SBT. O jornaleiro vendeu até o meio-dia todos os 25 exemplares de que dispunha, a mesma quantidade que costuma sair por dia do Diário Catarinense, jornal mais lido na cidade e no Estado, do grupo RBS (afiliado à Globo). O curioso é que ontem, na mesma banca, o DC encalhou. Será que o pessoal da RBS tem razão em ficar preocupado?

13.3.06

Vivo

Devido a um surto de preguiça provocado por recentes férias - além de um problema posterior que pode ser definido tecnicamente como "pau geral no computador" - este blogue esteve temporariamente fora da rede, mas não morreu (isso é para dar uma satisfação ao PH). Em virtude destas e outras desculpas esfarrapadas, no entanto, o Bobagera vai voltando devagar. Enquanto isso, leiam o +D1, outro lugar por onde não passava há algum tempo. Tem coisa nova lá.

2.2.06

Banho de mar

Há uns 150 anos, ninguém ia à praia em Florianópolis. Leia no +D1. A história completa está aqui.