Estas eleições completam um ciclo de 20 anos desde o fim do regime militar, em 1984. Prestes a atingir os 21, a democracia brasileira dá alguns sinais de chegar à maioridade. Isso, é claro, na visão de um otimista incorrigível, apesar de tudo. Alguns fenômenos interessantes estão acontecendo na política brasileira. Um deles, já muito comentado, é a crescente polarização entre PT e PSDB, fruto certamente das últimas três eleições presidenciais. São dois partidos que, bem ou mal, têm projetos para o país, concordemos ou não com eles. Na visão de Ricardo Setti, em artigo publicado hoje no saite no mínimo, há outro fenômeno importante em curso: a derrocada do malufismo. Para Setti, mais do que um líder ou grupo político, é um estilo de governar que está sendo derrotado nas eleições de São Paulo.
Aqui em Florianópolis, talvez seja cedo para dizer isso, mas parece haver uma troca de lideranças políticas. Esperidião Amin (PP) perdeu há dois anos a reeleição para o governo. Sua esposa, Angela Amin, há dois mandatos na prefeitura da capital, não conseguirá fazer o sucessor, ao que tudo indica. Já o neo-tucano Dário Berger é o elemento novo. Renunciou ao segundo mandato consecutivo na prefeitura da vizinha São José para ser candidato na capital. Venceu o primeiro turno com larga vantagem, enfrentando nomes conhecidos da política local. Sufocado pelos Bornhausen no PFL, partido pelo qual se elegeu duas vezes em São José, migrou para o PSDB, onde começa a se afirmar como principal liderança, ou pelo menos como político bom de voto. Seu partido, o PSDB, já venceu em Joinville e São José e, se levar a capital, controlará três das quatro maiores cidades, afirmando-se como nova força no Estado. Até onde ele vai?
21.10.04
19.10.04
As aventuras do Google
O Google é provavelmente o mecanismo de busca na internet mais popular do mundo. Mesmo assim, parece que a assessoria de imprensa deles anda mostrando serviço. Ou então os usos da ferramenta estão cada vez mais diversificados. No último dia 15, o Estadão publicou a notícia sobre o detetive Pat Ditter, da polícia de Washington, Estados Unidos, que encontrou um criminoso foragido desde 1993 cruzando dados no Google. Hoje, a página da BBC Brasil traz a história do jornalista australiano John Martinkus, seqüestrado no sábado em Bagdá, por rebeldes iraquianos. Confundido com um americano, Martinkus conseguiu que seus seqüestradores checassem sua identidade usando a ferramenta de busca. Eles se convenceram de que o jornalista não estava a serviço de nenhuma empresa ou serviço de espionagem americano, e o liberataram. Moral da história: se você fez alguma coisa ilegal, fuja do Google. Caso contrário, deixe o seu currículo na internet, só por garantia.
18.10.04
Palácios
Projeto do deputado estadual fluminense Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), propõe despejar o casal Garotinho do Palácio das Laranjeiras, residência oficial da governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus. O objetivo, de acordo com o Estadão, é transformar em museu o prédio tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O deputado criticou a utilização inadequada do imóvel, o que pode acelerar a deterioração. Algum deputado catarinense poderia se inspirar na idéia e propor o mesmo em relação à "Casa d'Agronômica", onde mora o governador Luiz Henrique da Silveira. Parte de uma antiga estação agronômica experimental (daí o nome do palácio e do bairro), a residência oficial conta com uma ampla área verde atualmente fechada ao público, e uma bela casa, construída no início do século 20. Poderia ser transformada num jardim botânico, servindo ao turismo, pesquisa e produção de mudas para reflorestamento, enquanto a casa poderia abrigar um museu histórico ou de arte. Seria um presente para a cidade, carente de museus e de parques públicos. Quanto ao governador, poderia morar no próprio Centro Administrativo do Governo do Estado, para onde o governo mudou-se recentemente. Bastaria adaptar um dos amplos espaços do complexo para transformá-lo na nova residência oficial. O homem passaria a morar mais pertinho do trabalho.
Laranjeiras: nada de festinha de aniversário nos jardins do palácio
Laranjeiras: nada de festinha de aniversário nos jardins do palácio
17.10.04
Para onde vão os votos?
A pesquisa divulgada nesse domingo pelo Ibope para o segundo turno da eleição para prefeito de Florianópolis não revela diretamente algumas informações importantes. Mas uma calculadora é suficiente para interrogar os números. Para onde vão os votos de Sérgio Grando (PPS) e Afrânio Boppré (PT), derrotados no primeiro turno? Espremendo os dados, conclui-se que esses eleitores estão rachados. Entre os que votaram em Grando, 35% viraram eleitores de Dário Berger (PSDB) e 29% optarão por Chico Assis (PP). Já entre os eleitores do candidato do PT, 29% vão de Dário Berger e 28% com Chico Assis. De acordo com os números do Ibope, portanto, Dário estaria ampliando a vantagem sobre Chico Assis com uma pequena ajuda dos eleitores de Grando. Os números mostram ainda que 35% dos que votaram em Grando ainda não têm candidato no segundo turno ou pretendem anular. Para os antigos eleitores de Afrânio, esse percentual é maior, chegando a 42%.
Os números totais da pesquisa mostram Dário Berger (PSDB) com 47% das intenções de voto, contra 31% de Chico Assis (PP). Entre os 805 entrevistados pelo Ibope, 11% pretendem votar branco ou nulo e apenas 10% estariam indecisos. A margem de erro é de 3,5%.
Os números totais da pesquisa mostram Dário Berger (PSDB) com 47% das intenções de voto, contra 31% de Chico Assis (PP). Entre os 805 entrevistados pelo Ibope, 11% pretendem votar branco ou nulo e apenas 10% estariam indecisos. A margem de erro é de 3,5%.
16.10.04
Por falar em armas...
O tráfico internacional de drogas e armas para o Brasil, que alimenta a violência de nossas grandes cidades, certamente vai continuar, mas pelo menos encontrará uma barreira a mais para entrar no território nacional a partir de amanhã. O Congresso aprovou a Lei do Abate, que permite à aeronáutica derrubar aviões não autorizados a voar no espaço aéreo brasileiro, conforme a edição de hoje do Jornal do Brasil. A aeronáutica vai utilizar aviões Supertucano, fabricados pela Embraer e equipados com metralhadoras 762. Os Supertucanos alcancam 600 km/h e dão conta do recado, segundo a Aeronáutica. Caso invasores usem aviões mais rápidos, a força aérea pode utilizar caças Mirage. A derrubada de aviões seguirá um procedimento padrão, com a ordem para pouso, tiro de advertência, tiros na carenagem e finalmente, se houver insistência do avião clandestino em desobedecer, a explosão da aeronave. O portal do Estadão traz uma animação interessante para demonstrar esses procedimentos. Organizações de direitos humanos já protestam, lembrando o caso da missionária americana e sua filha que morreram ao terem seu avião derrubado, por engano, pela força aérea peruana. O fato é que um país do tamanho do Brasil precisa ter controle de seu território, não só do espaço aéreo, mas também da imensa costa, onde a fiscalização é ainda mais deficiente.
12.10.04
Futebol e Armas
Para quem não leu, vale a pena dar uma olhada na edição do último domingo do AN capital, suplemento do jornal A Notícia para a região de Florianópolis. Recomendo dois textos. Um deles é a reportagem De campo de futebol a templo de consumo, na seção Memória (na versão impressa) ou Geral (na internet). O texto de Celso Martins recupera histórias engraçadíssimas do antigo estádio de futebol do Avaí, uma das duas equipes profissionais de Florianópolis. O lugar onde antes havia o campo, desde os anos 1920, foi comprado por uma construtora na década de 1980 e hoje é ocupado por um shopping. É uma pérola não só para quem vive na capital catarinense, mas para quem tem saudade do futebol desorganizado (no bom sentido). Matéria de Polícia da repórter Fabiana de Liz (também na seção Geral da versão on line) traz denúncia sobre o comércio clandestino de armas em favelas de Florianópolis. É de lá que vêm os revólveres e pistolas usados nos cada vez mais freqüentes assaltos na região. Essas mesmas armas são produto de roubo, o que chama a atenção para a importância da campanha nacional de desarmamento. Ela não desarma diretamente os criminosos, mas dificulta o acesso a essas armas, em geral roubadas de pessoas que as mantêm em casa para auto-defesa.
7.10.04
Voto em branco
O sistema usado nas eleições brasileiras permite ao eleitor três tipos de votos: válido, nulo e branco. O primeiro é o mais comum, em favor de um dos candidatos. Nas eleições em dois turnos, é a soma dos votos válidos que determina se alguém atingiu a maioria absoluta já na primeira votação, dispensando a segunda. O voto nulo é decorrente, em tese, de um erro do eleitor. Mas em nossa jovem democracia, virou sinônimo de protesto. O sujeito acaba votando nulo quanto rejeita todos os candidatos. Menos popular é o voto em branco, ainda que com direito até a tecla específica na urna eletrônica. Para efeito de apuração, é idêntico ao nulo, mas difere na mensagem deixada pelo eleitor. Ao contrário do nulo, o voto em branco não deixa dúvidas de que foi resultado de uma intenção deliberada. É ali que o eleitor deveria pressionar para dizer não a todos os concorrentes. Mas esse tipo de voto acabou vítima de um preconceito com origem na época da cédula eleitoral de papel. Votar em branco era então pouco recomendável, por facilitar a fraude. E a cultura do nulo acabou se impondo.
O voto em branco (ou nulo) é portanto uma alternativa prevista no próprio sistema eleitoral. Mas as vezes é caluniado, chamado de atentado à democracia, atitude reprovável, enquadrado em algum lugar entre a burrice e a preguiça de pensar. Esse chapéu serve bem ao voto irrefletido, aquele decidido por interesse mesquinho, por recomendação do pipoqueiro ou cara-e-coroa. O voto irrefletido pode ser tranqüilamente xingado de irresponsável, sem risco de remorso. Mas não é possível identificá-lo na apuração da Justiça Eleitoral. Matreiro, costuma se esconder no meio dos votos válidos, tanto quanto dos nulos e em branco. Está em todos os lugares onde se encontra também seu oposto, o voto responsável, que igualmente pode referendar um candidato ou marcar branco. E por que não? Se, depois de refletir seriamente, pesar os prós e contras, você decidir que nenhum dos candidatos merece seu voto, tasque branco, ora! O eleitor que faz isso está enviando uma mensagem tão clara quanto os que escolhem seus candidatos preferidos, além de abrir brechas futuras para o surgimento de alternativas. Nada mais democrático.
O voto em branco (ou nulo) é portanto uma alternativa prevista no próprio sistema eleitoral. Mas as vezes é caluniado, chamado de atentado à democracia, atitude reprovável, enquadrado em algum lugar entre a burrice e a preguiça de pensar. Esse chapéu serve bem ao voto irrefletido, aquele decidido por interesse mesquinho, por recomendação do pipoqueiro ou cara-e-coroa. O voto irrefletido pode ser tranqüilamente xingado de irresponsável, sem risco de remorso. Mas não é possível identificá-lo na apuração da Justiça Eleitoral. Matreiro, costuma se esconder no meio dos votos válidos, tanto quanto dos nulos e em branco. Está em todos os lugares onde se encontra também seu oposto, o voto responsável, que igualmente pode referendar um candidato ou marcar branco. E por que não? Se, depois de refletir seriamente, pesar os prós e contras, você decidir que nenhum dos candidatos merece seu voto, tasque branco, ora! O eleitor que faz isso está enviando uma mensagem tão clara quanto os que escolhem seus candidatos preferidos, além de abrir brechas futuras para o surgimento de alternativas. Nada mais democrático.
2.10.04
Mafalda aos 40

A conhecida rivalidade entre brasileiros e argentinos pode ser divertida, mas deixemo-la para o futebol. Nossos vizinhos sul-americanos têm muita coisa boa a oferecer, e uma delas acabou de completar 40 anos. Trata-se da tirinha Mafalda, do cartunista Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino. Por essas mágicas dos quadrinhos, sua filha mais famosa nasceu com 6 anos, em 1964, e no último livro, décadas depois, ainda tinha 8. Com a sinceridade de uma criança, a pequena Mafalda olha em volta e diz o que pensa. Seus comentários e situações são um espelho das inquietações sociais dos anos 60, mas mantêm uma impressionante atualidade. É uma obra universal, traduzida para pelo menos 20 idiomas, e de um fino humor. Mafalda divide o espaço das tirinhas com outras crianças: a fofoqueira Susanita, o preguiçoso Felipe, o ambicioso Manolito, o sonhador Miguelito, a radical Libertad e o imão menor da protagonista, Guille. Os adultos - incluindo os pais de Mafalda - são sempre coadjuvantes e nunca identificados pelos nomes.
Mafalda apareceu pela primeira vez em 1964, no suplemento de humor Gregorio, da revista argentina Leoplán, que publicou então três tiras. Quino já era um cartunista conhecido, que há uma década publicava seus desenhos de humor em jornais e revistas. Em 29 de setembro do mesmo ano, o semanário Primera Plana, de Buenos Aires, começou a publicar regularmente as tirinhas de Mafalda. Essa data foi transformada no aniversário da personagem. Em Buenos Aires, uma série de eventos lembra atualmente os 50 anos dos desenhos de Quino e os 40 anos de Mafalda.
1.10.04
Qual seu desenho preferido?
Uma pesquisa encomendada pelo canal de TV Boomerang perguntou a mil adultos britânicos, com idade entre 25 e 54 anos, qual é o seu desenho animado preferido. O resultado da pesquisa está na página da BBC Brasil. Os dez mais votados são todos seriados de animação que são ou foram exibidos no Brasil.
O campeão é Tom e Jerry, criado pelos estúdios Hanna-Barbera em 1940. O gato e o rato mais populares dos desenhos entre os britânicos já estrelaram 161 programas e receberam sete Oscars. Segue a lista:
2. Scooby-Doo - recentemente virou filme, em cartaz no Brasil.
3. Danger Mouse - o ratinho agente secreto exibido pelo SBT nos anos 80.
4. Manda-Chuva - Top Cat, no Brasil dublado pelo Lima Duarte, quando era novo.
5. Os Flinstones - foi o seriado de maior sucesso nos anos 60.
6. Pernalonga - clássico da Warner Bros., ainda é exibido pelo SBT.
7. Popeye - o mais antigo da lista, criado em 1933.
8. Papaléguas - outro clássico da Warner, o único da lista sem diálogos.
9. Corrida Maluca - quem não lembra?
10. Hong Kung Fu - o cão mestre em artes marciais e seu amigo gato, o China.
O campeão é Tom e Jerry, criado pelos estúdios Hanna-Barbera em 1940. O gato e o rato mais populares dos desenhos entre os britânicos já estrelaram 161 programas e receberam sete Oscars. Segue a lista:
2. Scooby-Doo - recentemente virou filme, em cartaz no Brasil.
3. Danger Mouse - o ratinho agente secreto exibido pelo SBT nos anos 80.
4. Manda-Chuva - Top Cat, no Brasil dublado pelo Lima Duarte, quando era novo.
5. Os Flinstones - foi o seriado de maior sucesso nos anos 60.
6. Pernalonga - clássico da Warner Bros., ainda é exibido pelo SBT.
7. Popeye - o mais antigo da lista, criado em 1933.
8. Papaléguas - outro clássico da Warner, o único da lista sem diálogos.
9. Corrida Maluca - quem não lembra?
10. Hong Kung Fu - o cão mestre em artes marciais e seu amigo gato, o China.
30.9.04
Falando em café...
Eu sei que pesquisa científica é aquela coisa, o que hoje faz bem, amanhã pode ser considerado um veneno. Mas como sou fã do café, e para continuar o assunto da nota anterior, transcrevo aqui trecho de reportagem de Conceição Lemes publicada hoje no saite no mínimo:
Agora, um estudo realizado pelo Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da Escola Paulista de Medicina, ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), traz ótimas notícias para os milhões de fãs da bebida: tomar diariamente até cinco xícaras pequenas de café passado em coador de pano ou filtro de papel não eleva os níveis de colesterol nem de triglicérides – as gorduras sangüíneas. "Essas formas de preparo impedem a passagem das gorduras do café. De quebra, quando combinado com dieta balanceada, ajuda a emagrecer", revela a nutricionista Rosana Perim Costa, autora da pesquisa. O cardiologista Francisco Fonseca, coordenador do setor, orientador do trabalho e professor, acrescenta: "Consumido dessa maneira, o café diminui a oxidação das gorduras do sangue, podendo até contribuir para reduzir a aterosclerose e as doenças cardiovasculares".
E de quebra, um cafezinho é muito bom.
Agora, um estudo realizado pelo Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da Escola Paulista de Medicina, ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), traz ótimas notícias para os milhões de fãs da bebida: tomar diariamente até cinco xícaras pequenas de café passado em coador de pano ou filtro de papel não eleva os níveis de colesterol nem de triglicérides – as gorduras sangüíneas. "Essas formas de preparo impedem a passagem das gorduras do café. De quebra, quando combinado com dieta balanceada, ajuda a emagrecer", revela a nutricionista Rosana Perim Costa, autora da pesquisa. O cardiologista Francisco Fonseca, coordenador do setor, orientador do trabalho e professor, acrescenta: "Consumido dessa maneira, o café diminui a oxidação das gorduras do sangue, podendo até contribuir para reduzir a aterosclerose e as doenças cardiovasculares".
E de quebra, um cafezinho é muito bom.
28.9.04
Da Arábia para o Ponto Chic
Devemos mais à cultura árabe do que costumamos imaginar, inclusive o hábito de tomar café. Em torno do ano 1000, os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas do cafeeiro, já conhecidas por suas propriedades estimulantes, fervendo-as em água. Mas somente no século 14 foi desenvolvido o processo de torrefação, tornando a bebida mais parecida com o que temos hoje. Foi em Meca, na Arábia, que surgiram as primeiras cafeterias, conhecidas como Kaveh Kanes. O café conquistou a Europa a partir de 1615, trazido dos países árabes por comerciantes italianos. O hábito de tomar o café, principalmente em Veneza, estava associado aos encontros sociais e à música que ocorriam nas alegres Botteghe Del Caffè.
As cafeterias espalharam-se pela Europa durante o século 18. Durante tardes inteiras, jovens reuniam-se em torno de várias xícaras de café, discutindo o destino das nações, declamando poemas, lendo livros ou simplesmente passando o tempo. O Império Brasileiro, construído no século 19 graças à exportação de café, importou esses hábitos europeus, ainda que por aqui o boteco tenha feito mais sucesso. Da corte do Rio de Janeiro, o hábito de discutir as fofocas da política e de alcova em casas de café espalhou-se pelo Brasil. Um dos últimos representantes dessa tradição aqui em Florianópolis era o Ponto Chic, fechado há poucas semanas.
As cafeterias espalharam-se pela Europa durante o século 18. Durante tardes inteiras, jovens reuniam-se em torno de várias xícaras de café, discutindo o destino das nações, declamando poemas, lendo livros ou simplesmente passando o tempo. O Império Brasileiro, construído no século 19 graças à exportação de café, importou esses hábitos europeus, ainda que por aqui o boteco tenha feito mais sucesso. Da corte do Rio de Janeiro, o hábito de discutir as fofocas da política e de alcova em casas de café espalhou-se pelo Brasil. Um dos últimos representantes dessa tradição aqui em Florianópolis era o Ponto Chic, fechado há poucas semanas.
27.9.04
Cabrito
Tenho desde 2002 um jipe Suzuki Vitara JLX, modelo 1993. Embora não seja propriamente um jipeiro - meu orçamento doméstico não permite a extravagância de arrebentar o carro em trilhas - gosto muito do Vitara. Mas nada comparado à paixão de Rafael Reis, um designer gráfico de 28 anos, ex-escoteiro, por seu jipe, um modelo semelhante ao meu. Reis criou o saite Cabrito, inteiramente dedicado ao seu Vitara. Feito por um profissional, a página é muito boa. Para quem se interessa por off-road e aventura, trata-se de um endereço digno de entrar para os favoritos. Nas várias seções, o jipeiro registra em texto e fotos suas aventuras nas trilhas da vida, dá dicas de mecânica, publica fotos de outros "zuks" (apelido carinhoso para os jipes Suzuki), e oferece links para comunidades de loucos por off-road na internet. Mantém ainda um cadastro que permite informar aos seus leitores, por e-mail, das atualizações do saite e uma curiosa seção de "notícias". Numa das últimas, o autor descreve como quebrou o diferencial dianteiro do jipe, com direito a inúmeras fotos demonstrando o estrago e os reparos. Coisa de quem tem uma bomba de gasolina no lugar do coração.

O Cabrito de Rafael Reis. O meu Vitara é bem mais comportado.
26.9.04
Puck man
O amigo Giancarlo, em comentário à nota anterior, trouxe à tona mais nostalgia dos anos 1980. Ele recorda dos tempos em que brincava com um Odyssey, videogame produzido no Brasil pela Phillips. O brinquedo de que fala o Gian era na verdade o Odyssey 2, lançado nos Estados Unidos pela Magnavox em 1978 - seis anos depois da primeira versão e um ano depois do Atari 2600. O Odyssey 2 foi o primeiro videogame com teclado completo, de 49 teclas, recurso que não pegou nos aparelhos que o sucederam. O Gian também cita outro tótem da cultura dos videogames, o jogo conhecido no Brasil como Come-Come ou Pac Man, que até hoje tem aficionados em versões para rodar no computador pessoal.
De acordo com o saite The Video Game Revolution, O Come-Come foi criado pela companhia japonesa Namco. Em 1980, os japoneses se associaram à America´s Midway e levaram o jogo para os Estados Unidos, com o nome Puck Man (algo como "Duende"). Por temor de que o público americano considerasse o nome ofensivo - a garotada logo o apelidaria de Fuck Man - o jogo foi rebatizado, antes do lançamento, de Pac Man, provavelmente uma referência ao som característico do personagem-título. Primeiro game a ter o nome de um personagem principal, o Pac man logo se tornou altamente popular, dando origem até a um desenho animado para tevê produzido pelos estúdios Hanna-Barbera. Pode-se dizer então que o Come-Come é um ancestral pré-histórico dos modernos jogos tipo Adventure, com personagens e enredo.
Gian também lembrou do Intellivision, seu sonho de consumo à época. Não era o único. Há até um saite destinado especialmente aos aficcionados-saudosistas do brinquedinho no Brasil. O Intellivision foi lançado nos Estados Unidos em 1979 pela Mattel (a mesma das bonecas Barbie). Para entrar no então crescente mercado de videogames, a empresa associou-se à General Instruments, que já tinha o projeto Gemini 6900. A qualidade dos gráficos, superior aos concorrentes Atari e Odyssey, tem uma explicação técnica. O Intellivision foi o primeiro videogame de 16 bits. Ele utilizava o processador CP1610, que funcionava a um clock de 800 Khz. Nada que se compare aos computadores pessoais de hoje, com seus clocks de 2 GHz, mas um assombro para a época. Com capacidade para processar mais dados em menos tempo, o Intellivision podia usar gráficos mais apurados nos jogos.

Pac Man, na versão jogo...
De acordo com o saite The Video Game Revolution, O Come-Come foi criado pela companhia japonesa Namco. Em 1980, os japoneses se associaram à America´s Midway e levaram o jogo para os Estados Unidos, com o nome Puck Man (algo como "Duende"). Por temor de que o público americano considerasse o nome ofensivo - a garotada logo o apelidaria de Fuck Man - o jogo foi rebatizado, antes do lançamento, de Pac Man, provavelmente uma referência ao som característico do personagem-título. Primeiro game a ter o nome de um personagem principal, o Pac man logo se tornou altamente popular, dando origem até a um desenho animado para tevê produzido pelos estúdios Hanna-Barbera. Pode-se dizer então que o Come-Come é um ancestral pré-histórico dos modernos jogos tipo Adventure, com personagens e enredo.

... e no desenho animado da Hanna-Barbera.
Gian também lembrou do Intellivision, seu sonho de consumo à época. Não era o único. Há até um saite destinado especialmente aos aficcionados-saudosistas do brinquedinho no Brasil. O Intellivision foi lançado nos Estados Unidos em 1979 pela Mattel (a mesma das bonecas Barbie). Para entrar no então crescente mercado de videogames, a empresa associou-se à General Instruments, que já tinha o projeto Gemini 6900. A qualidade dos gráficos, superior aos concorrentes Atari e Odyssey, tem uma explicação técnica. O Intellivision foi o primeiro videogame de 16 bits. Ele utilizava o processador CP1610, que funcionava a um clock de 800 Khz. Nada que se compare aos computadores pessoais de hoje, com seus clocks de 2 GHz, mas um assombro para a época. Com capacidade para processar mais dados em menos tempo, o Intellivision podia usar gráficos mais apurados nos jogos.
25.9.04
O primeiro videogame
Acabo de acrescentar importantes informações à minha inútil - porém divertida - cultura sobre os videogames. Escrevi duas notas sobre o Atari, um ícone da minha geração, e cheguei a chamá-lo de pioneiro desse tipo de brinquedo. O saite The Video Game Revolution: The History of Games corrige no entanto esse dado. A história é mais antiga. Em 1952 o americano A. S. Douglas criou o primeiro jogo de computador conhecido, Noughts and Crosses ("Zeros e Cruzes") como parte de sua tese de doutorado na Universidade de Cambridge. O primeiro videogame doméstico seria lançado em 1972, o Odyssey, que mais tarde chegou a ser vendido no Brasil (alguém lembra?). Criado por Ralph Baer e produzido pela Magnavox, o brinquedo rodava 12 jogos diferentes, incluindo um chamado Ping Pong. Baer ficou conhecido como o pai dos videogames. Em 1977, aparece o Atari 2600, o primeiro console multi-jogos. Diferente dos aparelhos anteriores, em que o videogame já vinha com um número limitado de jogos embutido no hardware, o Atari passou a usar os cartuchos, vendidos separadamente. Em 1979, quatro funcionários da Atari fundam a Activision, especializada na produção de jogos para o Atari 2600. Para quem se interessa pelo assunto, vale uma visita ao saite, que complementa um especial sobre o tema veiculado pela rede de tevê pública americana PBS.
24.9.04
Barra Grande
A construção de uma hidrelétrica na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul poderia se tornar o centro de uma grande discussão sobre o futuro do país. Poderia, se os dois lados do debate tivessem a mesma potência de voz. Trata-se da usina de Barra Grande, no Rio Pelotas, região do Planalto Serrano, que teve a licença ambiental concedida na semana passada, como informou A Notícia na edição da última quarta-feira. A autorização do Ibama para que seja formado o grande lago da hidrelétrica foi saudada pelo governo federal. Os entraves para investimentos em produção de energia começam a ser superados, o que contribui para afastar o risco de um novo racionamento a partir de 2007 e para eliminar gargalos que impedem o sonhado crescimento sustentável da economia. Para o cidadão comum, isso significa mais emprego, a médio e longo prazo. Mas uma reportagem do saite ambientalista O Eco procura mostrar que nem tudo são flores. Há a Mata Atlântica no meio. Só que nessas circunstâncias, é difícil defender a floresta. O colunista Marcos Sá Corrêa deu voz a entidades ambientalistas catarinenses e internacionais. Elas denunciam que o Ibama teria liberado ilegalmente a licença, baseada num relatório fraudulento, permitindo a devastação de uma grande área protegida. Os ambientalistas já movem uma ação na Justiça Federal contra o licenciamento da hidrelétrica. Num país com tantos problemas para resolver ao mesmo tempo, é ainda mais difícil conciliar os interesses das gerações atuais e das futuras. Ou simplesmente cumprir a lei.
23.9.04
Como caçar patos
Quem costuma dar algum crédito a todas as informações que recebe via internet deve dar uma olhada na coluna de hoje do Pedro Dória em no mínimo e no blog Coluna Extra, do jornalista Alexandre Gonçalves. O assunto é o mesmo: como um colunista com 15 anos de internet foi vítima - por mais de uma vez, confessa - de um hoax, um boato lançado na rede. No caso, trata-se do Sexkut, versão sexual do Orkut. O Sexkut foi um boato, na forma de uma página de internet criada especialmente para capturar patos, inventado pelo pessoal do Cocadaboa, saite humorístico que anda na moda - pricipalmente depois desse espisódio. Pedro Dória admite o erro, descreve como acabou sendo o pato alfa do boato e relembra que também foi enganado de maneira semelhante, há dois anos. Em seu favor, diga-se que não foi o único. Até jornalões como a Folha de São Paulo e O Dia compraram a pauta e entraram para a grande rede de patos do Cocadaboa. Os engraçadinhos anunciam agora que o serviço, de tanto interesse que despertou, vai começar a funcionar de verdade. Será que alguém vai levar a sério?
22.9.04
Essas inglesas...
A sedução era uma arma da espionagem britânica na primeira metade do século 20. James Bond, o agente 007 da literatura e do cinema, não foi o único a usar essa estratégia a serviço de Sua Majestade. Longe da ficção, as espiãs inglesas também valiam-se de seus talentos sexuais para obter informações preciosas. A tal ponto que pelo menos um diretor do MI5, o serviço secreto britânico, preocupou-se em conter os excessos de suas agentes, em carta datada de abril de 1945. A carta está entre os 280 documentos divulgados em maio pelos Arquivos Nacionais, em Kew, na Inglaterra. Maxwell Nnight, responsável pelo treinamento dos espiões britânicos, criticava os métodos utilizados por Mata Hari, espiã executada durante a Primeira Guerra Mundial que usava o sexo como ferramenta de investigação. "Estou convencido de que mais informações foram obtidas por agentes que se mantiveram longe do alcance das mãos masculinas", escreveu Knight. As informações estão na página da revista História Viva. Sexo e espionagem, portanto, não andavam juntos apenas na ficção. Será que continua assim?
21.9.04
Salim Miguel
Está nos jornais locais, mas vale a pena repertir a notícia. Salim Miguel lança daqui a pouco, no Centro de Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, seu novo livro: Mare Nostrum - romance desmontável. Com 80 anos de idade e a vista turva, quase cego, Salim é hoje uma jóia rara numa província sulista com pouca tradição na literatura. Seu livro anterior, Nur na Escuridão, lançado em 1999, alcançou reconhecimento nacional com o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte e da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, em 2001. Nascido no Líbano, Salim chegou ainda criança ao Brasil e viveu dos 5 aos 19 anos em Biguaçu, nos arredores de Florianópolis, mudando-se depois para a capital catarinense. Nur (luz, em árabe) na Escuridão é um romance autobiográfico sobre a imigração da família libanesa e sua nova vida no Brasil, na primeira metade do século 20. É um livro que recomendo, e não por bairrismo. Em Mare Nostrum, Salim se propõe a novamente inverter o binóculo falando de temas universais por meio de histórias de sua aldeia. A estrutura foi pensada para que a história possa começar por qualquer capítulo, ao gosto do leitor, daí a idéia de romance desmontável. Leia mais em A Notícia e no Diário Catarinense.

20.9.04
A volta do Atari II
Acabei de recuperar meu Dactar, a cópia nacional do lendário Atari, o pai dos videogames. Leia a nota publicada no dia 10 de setembro, A volta do Atari, sobre o relançamento do brinquedinho. O aparelho está completo (console, os dois controles, adaptador e conector para TV) e funcionando razoavelmente bem, excetuando-se aqueles já conhecidos problemas de contato nos plugues dos controles. Também recuperei alguns cartuchos de jogos, inclusive os clássicos River Raid e Enduro. Estou pensando em chamar alguns amigos e organizar um dia de jogatina. Se alguém tiver em casa algum velho cartucho com jogos de Atari, aceito presentes. Vêm aí dia das crianças (12 de outubro), natal, meu aniversário (26 de fevereiro). Mas não é preciso esperar essas datas, aceito também se ganhar apenas por ser um cara legal. Antigos joysticks do Atari ou Dactar, funcionando, também servem. O jogo que mais cobiço no momento é esse aí da imagem, o Keystone Kapers, que eu jogava muito nos anos 80, mas não tenho mais o cartucho. Está dado o recado.

19.9.04
Quase novidade
E finalmente saiu uma nova pesquisa de intenção de voto para prefeito de Florianópolis, a duas semanas da eleição. Pena que não traz grandes novidades. De acordo com o instituto Mapa, contratado pela RBS TV, Dário Berger (PSDB) continua disparado na frente, com 34%. Sérgio Grando (PPS) e Chiquinho de Assis (PP) aparecem pela primeira vez empatados, com 18%. Essa seria a grande novidade, se não fosse pela absurda margem de erro de 4,9% do Mapa. Na sondagem anterior, divulgada em 22 de agosto, Grando tinha 19% e Assis 14%, o que já configurava um empate técnico. O fato é que continua indefinido quem será o adversário de Berger no segundo turno. A pesquisa também mostra Afrânio Boppré (PT) empacado nos 10%. Dois candidatos nanicos já podem mortrar um dígito diferente de zero antes da vírgula. Gerson Basso (PV) aparece com 2% e o tal Vavo (PT do B) obteve 1% - uns quatro entrevistados juram que vão votar nele.
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