15.12.05

Mais um

Fiz minha estréia hoje no +D1, blogue coletivo de um bando de jornalistas aqui de Florianópolis. Agora também sou +1. Não é D+? Já havia escrito uma nota sobre a iniciativa, quando o +D1 começou a ser publicado, e o linque está aí do lado, na lista de blogues amigos.

Google W. Bush

Mais uma gracinha do Google. Experimente digitar no famoso buscador a palavra failure (vamos traduzir como "fiasco"). Selecione a opção "pesquisar na Web" e clique no botão "estou com sorte" (que remete direto ao saite que mais provavelmente responde à busca). O resultado da pesquisa é uma página da Casa Branca que contem a biografia do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Não é a primeira vez o Google usa o próprio buscador para fazer piada com o governo Bush Jr. Em 2004, inspetores da ONU anunciaram que não havia armas de destruição em massa no Iraque, desacreditando o pretexto usado pelos governos americano e britânico para a invasão. Logo depois o Google atacou.

A busca por "weapons of mass destruction" remetia então a uma página semelhante à mensagem de erro "Esta Página Não Pode Ser Exibida" do navegador, mas com o texto alterado para tirar sarro do migué anglo-americano. Essa brincadeira anterior do Google não está mais ativa, mas um saite britânico mantem na rede uma reprodução do resultado da busca. Vale a pena ler e clicar nos linques.

14.12.05

O que é farra-do-boi

Vargem Pequena é o nome de uma comunidade de Florianópolis. Pequena como diz o nome, meio urbana, meio rural, fica no Norte da Ilha de Santa Catarina, a uns 20 quilômetros do centro. Contou-me um amigo de lá que um grupo de moradores organizou uma farra-do-boi. Dividiram o dinheiro para alugar o bicho e, terminada a farra, sobrou um pouco.

Alguém sugeriu pedir emprestado o salão paroquial, comprar umas bebidas e dar uma festa. A dona Helga, matrona descendente de alemães, responsável pela salão, concordou. Lá pelas tantas, já estimulados pelo álcool, tiveram a brilhante idéia: "Vamu trazê umas muié pra cá"! Uma missão partiu imediatamente para buscar umas "meninas" na zona próxima.

Mas ali as notícias correm mais rápido que os farristas. Uma das esposas descobriu e correu para o salão, armada de cabo de vassoura. Flagrou os homens em plena euforia erótico-etílica. Consta que tinha sujeito dançando em cima da mesa, de cueca, com uma calcinha na cabeça. O cabo de vassoura comeu solto. A vila toda ficou sabendo e deu um rolo sem tamanho.

Acabou sobrando para a coitada da dona Helga, acusada pelas senhoras casadas do lugar de ser a promotora da devassidão: "Mass eu penssei que fosse só uma fesstinha inoscente"!

13.12.05

Estadunidense, ianque ou norte-americano?

Coisa de jornalista, não ligue. Num grupo de discussão por e-mail, discutimos eu e alguns amigos a forma mais apropriada de se referir aos habitantes dos Estados Unidos. Afinal, como chamar o pessoal de lá sem recorrer ao "vem cá, gringo viado!"?

Norte-americano
Errado. O país se chama Estados Unidos da América (EUA). América do Norte é apenas o subcontinente onde está localizado e uma expressão que não faz parte do nome do país.

Ianque
A expressão designava originalmente os habitantes dos estados do Norte, durante a Guerra de Secessão. Para o pessoal de lá, seria quase como chamar os brasileiros de cariocas. Além disso, quando aplicado aos habitantes dos EUA indistintamente, é usado de forma pejorativa. Num texto em que não se pretenda fazer juízo de valor, não seria adequado.

Estadunidense
Termo pouco usual, incômodo de pronunciar e de escrever. Não é uma palavra que se preste muito ao jornalismo. É ainda um tanto estranho, já que Estados Unidos é a forma de organização do estado e não o nome do país propriamente dito. Já pensou chamar brasileiros de republicano-federativos? Tem a vantagem de remeter à expressão Estados Unidos, mais precisa.

Americano
Consagrado pelo uso comum, é mais adequado que estadunidense. Remete a América, como os habitantes dos EUA se referem ao próprio país. Tem contra o fato de América ser também o nome do continente. Mas causa menos confusão que "norte-americano", expressão que leva primeiro à idéia de América do Norte. "Americano", pelo contrário, associa-se antes ao país (uma unidade nacional) que ao continente (expressão geográfica sem unidade). E sempre existe o contexto.

11.12.05

Futebol profissional

O Guarani é um time de futebol de Palhoça, na Grande Florianópolis. Antigo clube amador, há pouco tempo começou a medir forças com os times maiores no chamado futebol profissional. Nos últimos dois anos, ficou entre os quatro melhores no Campeonato Catarinense, torneio que voltaria a disputar em 2006. Bancado por bicheiros e mal administrado, no entanto, sobrou pouco do clube, de acordo com texto do colega Júlio Castro no jornal A Notícia:

"A um mês da estréia na competição, o clube palhocense está com o estádio vetado pela Federação Catarinense de Futebol, não dispõe de nenhum jogador, não tem diretoria ativa, possui uma dívida de R$ 50 mil referente aos salários de jogadores que até o mês passado disputaram o Campeonato Catarinense da Série A2 e ainda não tem sequer uma comissão técnica".

8.12.05

Bonson


Morreu hoje à tarde, em Florianópolis, Sérgio Bonson, um artista que fez parte da história da imprensa local. Cartunista, chargista, desenhista e aquarelista, publicou suas tiras nos jornais O Estado (Florianópolis), A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e Folha de São Paulo. Há duas semanas, sentiu-se mal e procurou um médico. O diagnóstico foi de um câncer nos pulmões, já em estado adiantado. Não foi possível tratamento. Bonson morreu num leito do Hospital Universitário da UFSC, em Florianópolis. Deixa seus desenhos e aquarelas, em que a cidade, de certo modo, sempre foi personagem.

6.12.05

Auto-surpresas

Comecei a publicar este blogue porque vários amigos tinham e quis experimentar. Também porque gosto de escrever e para me divertir um pouco. Mas desde o início decidi não falar muito de mim. O que não esperava era acabar eu mesmo descobrindo algo sobre este que vos escreve. Vejamos, por exemplo, a lista de dicas que tenho aí do lado. Atualmente são dez saites. Três são de HQ (Alpha Shade, Asterix e Mafalda), três de animação (Anima Mundi Web, Os Simpsons, Os Muppets), dois de história (Imagens de um presente e The Video Game Revolution) e dois de besteirol (Redublagens e Trash 80's). Não tinha me dado conta, mas isso diz alguma coisa, não?

4.12.05

Bobagera 2.0

O Bobagera está de cara nova. Ainda estou com alguns problemas para fazer funcionar os comentários e recolocar os linques, mas logo tudo estará 100%, espero.

3.12.05

A volta do Bátima

O saite do Filme do Bátima, por razões que tivemos preguiça de apurar, não está mais na internet. Mas os fãs do clássico episódio "Feira da Fruta" não precisam se preocupar, o Bobagera não vai deixá-los na mão. Há menos de um mês entrou na rede o Portal de Redublagens, trazendo não só o Filme do Bátima, como outras versões de redublagens seguindo a mesma linha do original, com muitos palavrões. Há até a redublagem de outros dois episódios do mesmo seriado Batman, além de versões chulas de Star Trek, Star Wars e Matrix. Assista Darth Vader em "cadê meu headphone?", um dos melhores. O linque já está aí do lado, na lista de "dicas", substituindo o antigo, do Bátima. Acesse este saite.

2.12.05

Xinelão e mais de um


A lista de blogues amigos ganhou mais dois integrantes. Estreou ontem na rede o +D1, página diária coletiva de um grupo de jornalistas de Floripa (entre os quais, coincidentemente, está a competentíssima Cléia Schmitz, por acaso minha consorte). A proposta do blogue é ter uma cara temática, que vai mudar de tempos em tempos. Durante esse período inicial, o tema é o verão, assunto sobre o qual o pessoal de Florianópolis tem muito a dizer, obviamente.

Quem chegou também para a festa é o Xinelao Studio, do amigo chargista Frank Maia. O blogue traz algo mais do que as charges que Frank publica diariamente no jornal A Notícia. Uma visita diária ao Xinelão sempre vai trazer algo de bom - ao menos uma boa risada.

1.12.05

Jô já era

A produção do "Programa do Jô" (ou o próprio Jô Soares) enlouqueceu. A atração de ontem do programa da Rede Globo de Televisão foi o debate político entre estrelas femininas do jornalismo brasileiro (e uma professora de história), na mesma noite em que a Câmara dos Deputados decidiu cassar o mandato parlamentar do ex-ministro plenipotenciário José Dirceu. Nada mais oportuno (refiro-me, nesse caso, ao debate). Estavam no estúdio Lucia Hippolito (CBN/UOL News/O Estado de São Paulo), Maria Aparecida de Aquino (professora de História da USP), Ana Maria Tahan (Jornal do Brasil) e Lílian Witte Fibe (UOL News). Direto do plenário da Câmara em Brasília, Cristiana Lôbo (Globo News) completou o grupo. O problema é que o debate foi gravado pouco antes da sessão da Câmara, mas só foi ao ar depois do fato consumado. E pior, logo depois do Jornal da Globo, que cobriu toda a história. Ficou muito ruim abrir o programa falando da possibilidade de cassação de José Dirceu quando ele já estava cassado. Isso sem falar do amadorismo de colocar no ar a coitada da Cristiana Lôbo sem retorno de áudio. O problema teve que ser consertado no ar. Assim não dá.

24.11.05

Maldição

"Os que planejam a destruição da cidade sofrerão insanidade, destruição de propriedade, extinção de sua linhagem, o ressecamento de seus líquidos vitais, doenças venéreas e morte". Vejam como aprender história pode ser útil. A frase acima é uma maldição do século XI, uma tradição da pequena cidade britânica de Bury St. Edmunds. Ela foi invocada por um grupo de moradores do vilarejo no último domingo, em pleno século XXI. Depois de perder uma batalha política e judicial contra a construção de um shopping no centro da cidade, eles se vestiram como cavaleiros medievais e amaldiçoaram o empreendimento. Mas espere um pouco antes de rir. Um dos vereadores que havia aprovado o projeto desdenhou a idéia da maldição e teve morte súbita no início de novembro. A história toda está no saite do Terra. Aqui em Florianópolis, houve briga recentemente em torno da construção de dois novos shoppings . Pena que ninguém se lembrou de invocar antigas lendas de bruxas da cidade. Teria sido divertido.

22.11.05

Turista do século 19


Nada mais corriqueiro do que fotos de viagem, ainda mais de um lugar turístico como Florianópolis. Mas imagine ver fotos como essas mais de um século depois que elas foram feitas. E ainda poder compará-las com imagens atuais dos mesmos lugares. É esse o resultado de um projeto de pesquisa da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), coordenado pela professora Maria Teresa Cunha. Dois anos de pesquisa no acervo iconográfico do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina produziram a recuperação e catalogação de dezenas de fotos da cidade feitas entre o fim do século 19 e início do 20 por José Artur Boiteux. O produto mais interessante do projeto, no entanto, é o saite Imagens de um presente, que coloca as fotos à disposição de qualquer um que tenha acesso à internet. Um mapa interativo (na verdade uma foto aérea do centro da cidade) permite localizar o local de algumas fotos e ainda compará-las com imagens atuais. É uma bela iniciativa para despertar nas pessoas o interesse pela história.

26.10.05

Marketing sem noção

Quem foi o idiota que inventou essas estratégias de marketing de grandes empresas que insistem em ligar para sua casa em horas inoportunas? Estava eu há pouco de cama, convalescendo de uma doença ainda não diagnosticada (não duvido que seja gripe de frango ou febre aftosa), quando um joselito qualquer da Embratel me liga para "passar as novas tarifas para ligações internacionais". Pelo amor de deus, qual é o consumidor que ficaria feliz com uma ligação dessas? "Vocês devem ter todos estes valores disponíveis no saite da Embratel, não?", foi o que perguntei ao sujeito. Depois de ouvir a resposta afirmativa completei: "olha, estou muito doente e tentando descansar, se eu quiser saber as tarifas de vocês procuro na internet. Tchau". Tem coisa mais detestável que alguém oferecer um serviço que você não pediu e não quer? Pronto. Vou voltar para a cama.

23.10.05

Diário de um novo mundo

Assisti ontem à pré-estréia do filme Diário de um Novo Mundo , primeiro longa-metragem do diretor Paulo Nascimento. O roteiro é baseado no romance Um Quarto de Légua em Quadro , do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil (de quem já tive a honra de ser aluno). Com Edson Celulari e Daniela Escobar nos papéis principais, a produção tem atores brasileiros, uruguaios e portugueses, além de um italiano. Grande parte da história foi rodada na Fortaleza de Santa Cruz, na ilha de Anhatomirim, arredores de Florianópolis. A fortaleza foi construída em 1739 e está bem preservada graças à restauração executada nos anos 1980 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O drama tem como pano-de-fundo o deslocamento de milhares de colonos portugueses das ilhas dos Açores para o Sul do Brasil, por volta dos anos 1750, para povoar a região então disputada com os espanhóis. O protagonista é o médico Gaspar de Fróes (Celulari) que acompanha a viagem de um grupo de colonos de Açores até Desterro (Florianópolis), onde se envolve com Maria (Daniela Escobar), esposa de um capitão do Exército. O romance é atravessado pela guerra colonial entre as duas potências ibéricas - é, na época Portugal e Espanha, pasmem, eram as maiores potências globais.

O filme conta com o mérito de levar para as telas um momento importante da formação do Brasil, ainda que não tenha a pretensão de contar essa história (os próprios colonos quase não aparecem como protagonistas do filme). O roteiro de Pedro Zimmerman, premiado no último festival de Gramado (assim como o próprio filme, no Júri Popular) é suficientemente bom para prender a atenção do público - o que merece aplausos em qualquer produção. Achei dispensáveis a participação especial do cantor Ney Matogrosso (na tela e na trilha sonora) e uma tentativa piegas de sensibilizar os expectadores catarinenses e gaúchos, no final. Ainda assim vale a pena assistir, principalmente para quem conhece pouco a história do Sul.

22.10.05

A Tchurma do Schuch

O Bobagera acaba de incluir mais um nome de peso na seleta lista de blogues amigos. Trata-se de A Tchurma, do grande professor Hélio Ademar Schuch, do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de quem foi aluno este que vos escreve. Pesquisador sério e ao mesmo tempo palhaço incorrigível, Schuch tem como credo o brizolismo - mas é gente finíssima. É um dos ídolos de uma geração de jornalistas formados pela UFSC - da qual humildemente faço parte - e ajudou a criar muita gente boa por aí. Schuch é um tipo de professor-pesquisador de universidade pública que deveria ser a regra, mas infelizmente, em muitos departamentos de nossas instituições federais de ensino, acaba sendo exceção - realmente, "a tchurma são foda". É um profissional dedicado ao conhecimento científico e sua difusão. Vale a pena ler a última nota no blogue A Tchurma, sobre a Teoria dos Jogos.

28.9.05



Quem foi criança nos anos 70 certamente se lembra dos Muppets. O programa semanal de TV estrelado por marionetes e sempre com convidados ilustres do showbizz em carne e osso foi um sucesso estrondoso, que amealhou 235 milhões de espectadores em vários países, de acordo com The Muppets Holding Company. A companhia, hoje associada à Disney, acaba de lançar nos Estados Unidos o DVD da primeira temporada do Muppets Show, criado em 1976. Mas as engraçadíssimas figuras dos Muppets são bem mais antigas que o programa. Seu líder, conhecido entre nós como Caco, o Sapo (Kermit, the Frog, para os americanos), parte no dia 14 de outubro numa turnê mundial com 50 destinos, para comemorar seu aniversário de 50 anos. Caco começará o périplo pela cidade texana que leva seu nome (Kermit) e visitará os destinos turísticos mais famosos do mundo, como a Estátua da Liberdade (Nova York), a torre Eiffel (Paris) e a Grande Muralha da China. O informe divulgado pela companhia na internet não diz se o Brasil está entre os 50 destinos.

16.9.05

Notas policiais

Trabalhar na editoria de polícia às vezes é divertido. Há alguns dias tenho substituído o editor da área no suplemento regional AN Capital do jornal A Notícia, enquanto o titular da pasta, grande colega Cao Carvalho, tira uma licença para cuidar da saúde. Pois vejam o que me trouxe ontem o repórter Jonas Hames, correspondente do jornal na região de Tijucas (SC). Um morador de Canelinha, cidade de 9 mil habitantes a 67 quilômetros de Florianópolis, foi embarcado numa ambulância para tratamento num hospital da capital. No caminho, o motorista parou num posto de gasolina, saiu do carro, e o paciente aproveitou o descuido para limpar a carteira no sujeito. A historinha completa está aqui. É o último texto da página.

15.9.05

Bátima - o saite




Fãs do Filme do Bátima têm agora um endereço favorito na internet. Para quem não sabe do que se trata, o filme de 22 minutos é uma dublagem com "tradução livre", em cima de um episódio do famoso seriado Batman & Robin, dos anos 60, em versão recheada de palavrões. Foi feito em 1981 por uma dupla de adolescentes, só por brincadeira, e muitos anos depois alguém colocou a obra de arte na internet. Virou um ícone. Os próprios autores, hoje na faixa dos 40 anos, levaram um susto com a celebridade inesperada. A história toda está contata no saite, onde é possível também baixar o filme, a música "Feira da Fruta" da trilha sonora e trechos do vídeo comparando o episódio original com a versão chula.

28.8.05

Pardais

Tenho recebido convites de amigos para entrar numa comunidade do Orkut - também criada por um amigo - chamada "Visite Floripa, ganhe uma multa". Explico para quem não mora em Florianópolis: a prefeitura instalou recentemente fotossensores nas avenidas de maior tráfego, sempre nos semáfaros, que flagram os carros acima da velocidade permitida, que avancem o sinal vermelho ou parem sobre a faixa de segurança. A reação à instalação dos radares (ou pardais) gerou até um movimento com direito a manifestações públicas e adesivos nos carros ("Fiscalizar, sim. Pardais, não"). A gritaria foi liderada por um ex-deputado estadual (Paulo Bornhausen, filho do senador Jorge Bornhausen, do PFL), que já havia conseguido a eliminação dos radares fixos de todas as rodovias estaduais de Santa Catarina. Como se vê, é um político de grande espírito público.

Esse caso é um exemplo de como as discussões públicas se dão no Brasil de modo enviesado. Em primeiro lugar, o que o movimento pede é, por princípio, absurdo: o direito de desrespeitar a lei. Ninguém questionava o limite de velocidade de 80 km/h na avenida Beira-Mar Norte até que ela passou a ter fiscalização. Seria legítimo discutir, por exemplo, aumentar o limite para 100 km/h, mas não simplesmente eliminar as multas. Infelizmente, não somos um povo educado, e as pessoas só respeitam a lei se acreditarem que serão punidas em caso contrário. Sem contar que ninguém tem a necessidade de dirigir a mais de 80 km/h numa via urbana cheia de semáfaros e com nove quilômetros de extensão. Na ponta do lápis, o ganho de tempo ao se trafegar a 100 ou 120 km/h é ridículo, e o comprometimento da segurança considerável. É por essas e outras que nosso país é campeão mundial em mortes no trânsito. Basta tirar um pouco o pé, e ninguém vai ser "roubado pela indústria da multa".